A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) arrecadou R$ 20,3 milhões em doações entre os dias 5 e 16 de outubro, já no segundo turno das eleições 2026. O montante é quase o triplo dos R$ 7,5 milhões recebidos ao longo de todo o primeiro turno.

No mesmo intervalo, a campanha à reeleição do presidente Lula (PT) recebeu R$ 772,5 mil em contribuições. Assim, o valor captado pelo senador representa 26 vezes o montante do petista.

Os dados foram extraídos às 15h desta terça-feira (20) do Divulgacand, sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e contemplam receitas registradas até sexta-feira (16). A contagem considera doações feitas diretamente por pessoas físicas e por financiamento coletivo.

Origem das doações

Todas as contribuições recebidas por Flávio no segundo turno vieram diretamente de pessoas físicas. Já Lula obteve R$ 678,9 mil por meio de financiamento coletivo e R$ 94 mil de doações diretas de eleitores.

Na arrecadação total, que inclui recursos públicos repassados pelos partidos, o petista lidera: Lula soma R$ 118,4 milhões, contra R$ 95,5 milhões do senador. A diferença se explica pelo fundo eleitoral — o PT transferiu R$ 115 milhões à campanha do presidente, enquanto o PL destinou R$ 47 milhões ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio encerrou o primeiro turno, em 4 de outubro, à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. Os dois decidem a eleição no domingo (25).

Concentração de aportes

A maior parte das doações ao senador se concentrou nos dias finais do levantamento: entre 13 e 16 de outubro, a campanha recebeu R$ 17,5 milhões de pessoas físicas, o equivalente a 85,6% do total do segundo turno. Não há registros de receitas entre os dias 10 e 12.

Ao longo de toda a campanha, Lula teve mais doadores — 571, contra 462 de Flávio —, mas as contribuições ao senador são individualmente maiores. Metade dos doadores de Flávio contribuiu com até R$ 5 mil, enquanto metade dos apoiadores de Lula doou até R$ 1 mil.

As doações ao candidato do PL também são mais concentradas: dezessete doadores aportaram R$ 500 mil ou mais cada um, somando R$ 12,9 milhões, ou 46% de tudo o que o senador recebeu de pessoas físicas. Na campanha de Lula, apenas uma pessoa física doou mais de R$ 100 mil.

O maior doador de Flávio é o empresário do agronegócio Elói Vitório Marchett, com R$ 2 milhões, em 15 de outubro. Nelson José Vigolo, também do setor, contribuiu com R$ 1,1 milhão no dia 13. Angela Cristina Cattozatto Fortunato, esposa de Francisco Fortunato, presidente e acionista do Grupo OCQ, do setor químico, doou R$ 1 milhão.

Por outro lado, o maior doador de Lula é o empresário Erasmo Carlos Battistella, fundador e CEO da Be8, empresa de biodiesel, que repassou R$ 500 mil ainda no primeiro turno, em 4 de setembro — valor equivalente a um quarto de tudo que o petista recebeu de pessoas físicas. No mesmo dia, Battistella doou o mesmo montante a Flávio.

No segundo turno, os maiores doadores do petista foram o ministro Guido Mantega, da Fazenda nos dois primeiros mandatos de Lula, e Luis Alberto de Mendonça Sabanay, pastor presbiteriano e militante, com R$ 20 mil cada. A contribuição de Sabanay foi registrada como doação estimável em dinheiro, feita em bens ou serviços. Os demais aportes do período ficaram em até R$ 10 mil.

Recursos públicos

Na arrecadação total, liderada pelo petista, o valor vem sobretudo dos fundos públicos repassados pelos partidos. O PT transferiu R$ 115 milhões do fundo eleitoral à campanha de Lula, o que corresponde a 97% de tudo o que o presidente arrecadou. Desses, R$ 30 milhões ingressaram após o primeiro turno, em repasses realizados nos dias 8 e 16 de outubro.

O PL, por sua vez, repassou a Flávio R$ 47 milhões do fundo eleitoral — todos antes do primeiro turno —, além de R$ 13,7 milhões do Fundo Partidário. Somados a outros R$ 7 milhões em recursos da sigla, os repasses do partido representam 71% da arrecadação do senador.

Desses R$ 7 milhões, R$ 6 milhões foram registrados como doações estimáveis da direção nacional do PL, sem que a prestação de contas informe a que bens ou serviços correspondem. Os valores não incluem doações feitas diretamente ao partido.