BRASÍLIA — A disputa pelo Palácio do Planalto entrou em sua fase decisiva sob um manto de prudência nos dois campos. Depois que o Datafolha apontou empate entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), o comando petista passou a trabalhar para conter a euforia dos aliados, enquanto o time bolsonarista adota como lema a necessidade de não cometer deslizes na reta final das eleições.

No primeiro turno, Lula terminou atrás do adversário. Por isso, o novo cenário desenhado pelo instituto foi recebido com satisfação pela equipe do presidente. Mesmo assim, a orientação é evitar cantar vitória: a palavra de ordem no entorno do petista é manter ‘os pés no chão’ e brigar pelo eleitorado voto a voto.

A campanha de Lula também afirma que se prepara para uma onda de fake news e de ataques do adversário nos próximos dias. Nos bastidores, há empolgação com o resultado da pesquisa, mas o clima predominante é de alerta.

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, que integra o núcleo da campanha, demonstrou otimismo com o rumo da disputa.

‘A eleição está em aberto, mas a tendência de virada vai se consolidando. Seja na intenção de voto, seja na aprovação do governo, mas também no crescimento da rejeição a Flávio Bolsonaro’, disse o petista.

Bolsonaristas evitam comemorar

Do outro lado, a ordem também é não baixar a guarda. Integrantes do núcleo duro da campanha de Flávio afirmam que não dá para errar nos dias que restam até o pleito.

Apesar do empate registrado pelo Datafolha, o time do senador sustenta que levantamentos internos ainda o colocam à frente do presidente. Os aliados reconhecem que o segundo turno será apertado, mas seguem apostando na vitória do candidato do PL.

Debate como trunfo

O confronto presidencial entre os dois candidatos, realizado no estúdio da Band, em São Paulo, deve ser usado pelos dois lados como arma na reta final para conquistar o voto dos eleitores que ainda estão indecisos e devem tomar uma posição nos próximos dias.

Embora em lados opostos da disputa, os dois campos partem de uma leitura semelhante: o resultado segue em aberto e qualquer deslize pode ser decisivo para o desfecho da eleição.