Os candidatos que conquistaram as maiores votações para a Câmara dos Deputados nas eleições deste ano são jovens, construíram projeção política nas redes sociais e refletem os dois polos da disputa presidencial entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Levantamento com dados abertos do TSE mostra que, entre os dez deputados federais mais votados em números absolutos, nove têm menos de 40 anos. Estão nessa lista Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP), André Fernandes (PL-CE), Erika Hilton (PSOL-SP) e Ana Elisa (PT-MG). A única exceção é Júlia Zanatta (PL), de 41 anos, reeleita por Santa Catarina.
Idade mediana não muda
Apesar da presença jovem no topo da lista, a idade mediana dos eleitos para a Câmara permaneceu em 49 anos, mesmo patamar de 2022. Ou seja, metade dos deputados da próxima Legislatura terá 49 anos ou mais.
Nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a mediana também ficou estável, em 47 anos. No Senado, houve leve queda, de 58 para 56 anos. O cálculo considera a idade dos eleitos no dia do primeiro turno e leva em conta que dois terços das cadeiras do Senado foram renovadas neste ano, contra um terço em 2022.
Novos nomes da política
Entre os dez mais votados há símbolos da nova direita. Nikolas Ferreira, 30, dobrou a votação de 2022 e alcançou 3 milhões de votos. Em São Paulo, Lucas Pavanato, 28, eleito pela primeira vez, somou desempenho semelhante; ele é vereador na capital paulista desde 2025, seu primeiro cargo eletivo.
Pela esquerda, Erika Hilton, 33, obteve cerca de 1,6 milhão de votos e se tornou a mulher mais votada para a Câmara. Sâmia Bonfim, 37, também do PSOL paulista, ficou entre as mais votadas, com cerca de 583 mil votos. A principal novidade veio de Minas Gerais: Ana Elisa, 21, do PT, foi eleita com mais de 524 mil votos em campanha ancorada nas redes sociais.
Dos dez primeiros colocados, seis são de partidos de direita e quatro de legendas de esquerda. Apenas Tabata Amaral (PSB), reeleita em São Paulo, tem perfil mais centrista. O quadro difere de 2022, quando cinco dos dez mais votados tinham menos de 40 anos. Ferreira, Tabata e Kim Kataguiri (Missão) repetiram o desempenho de quatro anos atrás.
Com condenações no STF, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli (PL-SP) não disputaram a reeleição. Guilherme Boulos (PSOL) abriu mão da candidatura para permanecer ministro do governo Lula e ajudou a eleger a esposa para a Câmara.
Renovação ainda é pequena
Apesar do destaque dos jovens, apenas 23 dos 513 deputados eleitos têm menos de 30 anos — 4,5% da Casa. Desse grupo, seis são de esquerda e 17, de direita. O mais jovem é Alvinho Lira (PP-AL), de 20 anos, filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Ele ainda não completou a idade mínima constitucional, mas mudança legal aprovada em 2025 permite que candidatos completem a exigência em até 90 dias após a posse da Mesa Diretora.
Na outra ponta, quatro eleitos com 77 anos serão os mais velhos da próxima Legislatura: Magda Mofatto (PL-GO), Busato (União Brasil-RS), Edinho Araújo (PRD-SP) e Sergio Zambiasi (Podemos-RS). No total, 30 deputados eleitos têm mais de 70 anos.
No Senado, os mais jovens eleitos foram Filipe Barros (PL-PR) e Marina JHC (PSDB-AL), ambos com 35 anos. O mais velho é Júlio César (PSD), de 78, no sétimo mandato como deputado federal pelo Piauí, que derrotou o senador Ciro Nogueira (PP).
Nas Assembleias Legislativas, os jovens eleitos incluem nomes impulsionados pelas redes sociais e herdeiros de políticos tradicionais. No Maranhão, Natália do Júnior Garimpeiro (União Brasil), 21, foi eleita com apoio do pai, prefeito de Centro Novo. Túlio Rezende (MDB), 22, é filho da deputada estadual Andrea Rezende e do ex-deputado Stenio Rezende. Em Minas Gerais, Samuel Caires (PL), 22, contou com o apoio de Nikolas Ferreira. Eduarda Campopiano (PL), 23, foi a mais votada para a Assembleia de São Paulo, com 1,9 milhão de votos e discurso conservador e antifeminista.
A deputada estadual mais velha eleita no país é a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSOL-SP), de 91 anos, única nonagenária entre os eleitos para as Assembleias.
