Um provérbio popular português serve de epígrafe para a reflexão: “Quem faz o seu destino são as suas escolhas, não as suas chances”. A máxima, aparentemente simples, condensa o espírito do debate proposto no texto “Onda vermelha disputa a virada”, de autoria de Valerio Arcary, professor titular do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e militante da Resistência.
O sentido da máxima popular
A frase escolhida para abrir o artigo não é casual. Ao contrapor escolhas e chances, o provérbio sugere que o curso dos acontecimentos não depende apenas das circunstâncias ou das oportunidades que se apresentam, mas das decisões tomadas por aqueles que atuam na cena política. Aplicada ao cenário eleitoral, a ideia aponta para a responsabilidade das forças políticas e dos eleitores na definição do resultado.
A onda vermelha em disputa
O título do texto já anuncia o tema central: a chamada onda vermelha, expressão que remete ao avanço das forças de esquerda, disputa a chamada virada. A formulação indica que nada está decidido antecipadamente, e que o desfecho do embate permanece em aberto, dependendo do jogo político que ainda se desenrola.
A escolha do termo “disputa” é reveladora. Não se trata de uma vitória anunciada, tampouco de uma derrota consumada. Trata-se de um confronto em curso, no qual cada lado busca converter suas forças em resultado concreto. É nesse ponto que o provérbio do início ganha pleno sentido: o destino da disputa será definido pelas escolhas feitas ao longo do processo, e não apenas pelas chances que o quadro inicial oferecia a cada campo.
Quem escreve
O autor do texto, Valerio Arcary, é professor titular no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e militante da Resistência. A trajetória do autor ajuda a compreender o enfoque dado à análise: trata-se de uma leitura produzida de dentro do campo da esquerda, por alguém que participa organicamente da disputa que descreve, e não apenas a observa à distância.
Essa dupla condição — acadêmico e militante — imprime ao texto um caráter particular. Não se trata de um exercício de distanciamento neutro, mas de um posicionamento assumido, no qual a análise política se combina com a defesa de um projeto. O leitor encontra, portanto, uma interpretação engajada do momento político, formulada por quem tem formação acadêmica e atuação prática na organização da qual faz parte.
Escolhas coletivas
Se o provérbio fala de destino e escolhas, aplicado à vida individual, o artigo o transporta para o plano coletivo. Nessa chave, as “escolhas” que definem o destino não são apenas as de cada cidadão isoladamente, mas as decisões acumuladas de partidos, movimentos sociais e eleitores. A “onda vermelha”, na formulação do título, seria justamente o resultado dessas escolhas coletivas — e a “virada”, o prêmio que ainda está em disputa.
A mensagem que se extrai da combinação entre epígrafe e título é direta: o futuro político não é uma loteria. As chances existem, mas são as escolhas — dos organizadores, dos militantes e do eleitorado — que transformam possibilidade em resultado. É sobre essa encruzilhada que o texto de Arcary convida à reflexão.
