Solicitar um visto para trabalhar nos Estados Unidos vai exigir mais transparência digital por parte de estrangeiros ligados ao jornalismo. Segundo nova regra divulgada pelas autoridades norte-americanas, candidatos a vistos destinados a jornalistas e a profissionais contemplados pelo acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá deverão manter seus perfis em redes sociais visíveis ao público.
O que muda na prática
A medida atinge duas categorias específicas de solicitantes: os profissionais da imprensa que buscam autorização para exercer atividades jornalísticas em território americano e aqueles amparados pelo tratado comercial firmado pelos três países da América do Norte, conhecido como T-MEC. Para ambos os grupos, será preciso configurar as contas em plataformas digitais como públicas ou abertas, garantindo que o conteúdo publicado possa ser acessado livremente durante a análise dos pedidos.
Na prática, isso significa que quem mantiver perfis privados ou restritos poderá enfrentar obstáculos no processo de solicitação. A exigência transforma as redes sociais, antes consideradas espaço pessoal do candidato, em instrumento avaliado diretamente pelas autoridades de imigração.
Vigilância sobre atividade online se intensifica
A decisão reforça uma tendência já observada nas políticas migratórias norte-americanas, que têm ampliado progressivamente o escrutínio sobre a presença digital de estrangeiros que desejam entrar no país. Com a nova determinação, essa checagem passa a valer formalmente para jornalistas e beneficiários do acordo regional, tornando obrigatório abrir o acesso às próprias contas.
Especialistas apontam que o impacto pode ser significativo para profissionais de comunicação, cujo trabalho frequentemente envolve opinar, reportar e interagir publicamente em ambientes digitais. Manter perfis abertos expõe não apenas postagens recentes, mas todo o histórico disponível nas plataformas escolhidas pelo candidato.
Critérios ainda pouco detalhados
Nem todos os critérios utilizados na avaliação foram esclarecidos. Não há definição pública sobre quais plataformas serão consideradas suficientes nem como o material analisado influenciará decisões finais de concessão ou negativa de vistos.
Fica estabelecida, portanto, uma condição adicional para quem pretende atuar legalmente como jornalista ou profissional coberto pelo acordo trilateral nos Estados Unidos: a vida digital precisa estar em ordem e, principalmente, à vista. Quem preferir preservar a privacidade das suas contas terá de pesar cuidadosamente os custos dessa escolha diante do novo cenário regulatório imposto pela migração norte-americana.
