O segundo leilão de gás natural da União, programado para 2027, vai colocar à disposição da indústria 1,8 milhão de m³ por dia do insumo vindo da parcela do governo nos contratos de partilha do pré-sal. O volume é 63% superior aos 1,1 milhão de m³/dia vendidos pela PPSA (Pré-Sal Petróleo) nesta quinta-feira (22), em leilão que marcou a estreia do novo modelo de comercialização do gás da União.
O anúncio foi feito pelo presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, em conversa com jornalistas após o certame desta quinta-feira, no qual os 110 lotes ofertados foram todos arrematados por 23 companhias de cinco setores da indústria de base definidos como prioritários pelo governo.
Novo modelo de venda
De acordo com resolução aprovada pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), a PPSA passará a leiloar o gás natural da União todos os anos, em certames de curto prazo entre 2026 e 2030 e de longo prazo a partir de 2030.
No primeiro leilão, o insumo foi reservado exclusivamente aos setores de vidro, fertilizantes, cerâmica, siderúrgico, metalúrgico, mineração, químico e petroquímico. A intenção do governo é ampliar o atendimento a outros segmentos industriais nos próximos anos. Foi a primeira vez que o mercado teve acesso direto ao gás da União.
Termômetro para o mercado
Segundo Paroli, o primeiro certame funcionou como um termômetro para medir o interesse da indústria em disputar o gás estatal. Ele avaliou que o resultado, com ágio em quatro das cinco disputas, revelou quanto cada setor está disposto a pagar pelo insumo, que em muitos casos representa parcela relevante do custo de produção.
“A PPSA, que colocou uma margem limitada no seu preço inicial, vai arrecadar mais porque a indústria é capaz de pagar mais. Nós hoje descobrimos qual é a diferença entre o custo que a PPSA tinha e a capacidade de pagamento de cada um daqueles segmentos. Nós conseguimos descobrir que eles são capazes ainda de pagar mais, tanto que a competição levou a isso”, afirmou o dirigente.
Até a aprovação do novo modelo, o gás pertencente à União era comprado principalmente pela Petrobras, em contratos antigos firmados a preços baixos. Com o novo arranjo, o governo pode ofertar o insumo diretamente ao mercado, atendendo setores industriais estratégicos. A expectativa é ampliar a concorrência e derrubar os preços.
“Todos esses setores da indústria nacional tinham demanda reprimida. [O resultado do leilão] significa que a competitividade da indústria nacional aumentou hoje, significa que os preços internos vão cair. E significa que a nossa capacidade de exportar vai aumentar, que nossa defesa da importação de produtos estará feita porque a nossa indústria será mais competitiva”, declarou Paroli.