A definição da nova composição da Câmara dos Deputados e do Senado abriu a fase de articulações para a eleição dos presidentes das duas casas, marcada para o início da próxima legislatura, em fevereiro. Os atuais titulares — Hugo Motta (Republicanos-PB), na Câmara, e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Senado — devem disputar a reeleição, mas partem de cenários bastante distintos. Tudo indica que o caminho de Motta é mais confortável.
Os presidentes da Câmara e do Senado são escolhidos pelos próprios pares a cada dois anos, no começo de cada biênio. Motta e Alcolumbre assumiram os postos em fevereiro de 2025 — o primeiro sucedendo Arthur Lira, o segundo no lugar de Rodrigo Pacheco — e a confirmação de ambos em 2027 dependerá do jogo político que se desenha com os novos parlamentares.
Base ampla na Câmara
Motta chegou ao comando da Câmara com apoio praticamente consensual entre as bancadas, em contraste com a disputa acirrada registrada no Senado. Desde então, o deputado paraibano procurou manter diálogo simultâneo com o governo, a oposição e o centrão, preservando espaço com os três grupos e mantendo sob controle o ritmo das votações na casa.
Com as bancadas já definidas, os cálculos para 2027 ficam mais claros — e, no caso da Câmara, apontam vantagem para o presidente em exercício. O quadro atual não indica, até o momento, a formação de um rival articulado com força real para ameaçá-lo. A reeleição, portanto, surge como desdobramento natural, condicionada apenas aos acordos que ainda serão costurados com as legendas.
Disputa mais dura no Senado
Alcolumbre, ao contrário, elegeu-se em votação disputada, ao derrotar o senador Marcelo Castro, nome apoiado por parte da base governista. A vitória deixou marcas na relação com o Planalto, e o biênio foi pontuado por atritos entre o senador do Amapá e o Executivo. Ex-presidente do Senado entre 2019 e 2021, ele conhece como poucos a mecânica da casa, mas atua em um ambiente interno menos previsível, no qual o descontentamento com seu comando pode se converter em candidatura alternativa.
O cargo em disputa tem peso decisivo: quem preside a Câmara ou o Senado controla a pauta de votações, a distribuição de postos em comissões e na Mesa Diretora e influencia diretamente o ritmo das prioridades do governo e da oposição. Por isso, a escolha mobiliza partidos, o Planalto e as principais lideranças do Congresso.
Nada, porém, está selado. As eleições internas costumam ser decididas nas semanas que antecedem a votação de fevereiro, e a vantagem inicial de Motta precisará se transformar em votos nominais no plenário. Para Alcolumbre, o desafio é maior: reconstruir pontes e impedir que a oposição interna ao seu comando se organize em torno de um nome capaz de ameaçar sua permanência no cargo.