Há um mês, o inquérito conhecido como caso Master está paralisado na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). A suspensão determinada pelo presidente da corte, Luiz Edson Fachin, mantém sem apreciação uma série de atos do processo: pedidos da Polícia Federal (PF) para dar sequência às apurações e decisões sobre a manutenção ou não das prisões de investigados seguem aguardando análise.

Ao completar um mês, a paralisação passa a ser apontada como obstáculo à própria investigação. Para investigadores e advogados que acompanham o processo, a retenção dos autos na Presidência do Supremo estaria represando requerimentos da PF e impedindo o julgamento sobre a manutenção ou não das prisões de investigados.

A decisão de Fachin

A suspensão foi determinada em 12 de setembro. Na ocasião, Fachin ordenou que o ministro André Mendonça, relator do caso, enviasse à Presidência do STF todos os processos relacionados às investigações do Master.

O inquérito apura supostas fraudes financeiras, além de corrupção, lavagem de dinheiro, coação, vazamento de dados sigilosos e o envolvimento de autoridades com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Crise institucional no Supremo

A medida foi tomada em meio à crise institucional instalada no Supremo após Mendonça determinar à PF a elaboração de um relatório sobre as conexões de Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.

O episódio agravou o clima de tensão dentro da corte. Aliados de Moraes passaram a levantar acusações de que o relator do Master estaria direcionando as investigações — versão que Mendonça nega.

O que segue pendente

Enquanto os autos permanecem na Presidência, não há indicação de quando o processo voltará a tramitar normalmente. Os requerimentos da PF e a avaliação sobre a manutenção das prisões seguem na fila de análise.

Para quem acompanha as apurações, o tempo parado compromete o andamento dos trabalhos. Do ponto de vista da defesa, a avaliação é de que a análise sobre as prisões não pode ficar retida por tempo indeterminado.

Até que a Presidência do Supremo se manifeste, o caso Master segue suspenso, com pedidos de soltura e apurações da PF retidos na mesma fila, aguardando decisão.