São Paulo — Com desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula (PT) reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista neste domingo (11) em um ato voltado principalmente ao público jovem. No discurso, o petista destacou lideranças recém-eleitas pelo partido e prometeu uma revolução tecnológica caso seja reeleito.
Marcha pela Democracia
A manifestação, chamada de Marcha pela Democracia, foi convocada por estudantes, comunidades de fãs, movimentos sociais e partidos de esquerda. O objetivo era reverter o clima de desânimo entre a militância, diante da desvantagem do presidente na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), que liderou o primeiro turno da eleição presidencial.
A estratégia do PT para virar o jogo passa por reduzir a abstenção no dia da votação e mobilizar a militância para convencer eleitores indeisos a mudar de voto.
Durante o discurso, Lula fez uma autocrítica sobre a falta de aproximação com a juventude e dirigiu a fala diretamente a esse eleitorado. “A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer as coisas de cima para baixo”, declarou.
“Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto. Vocês têm que assumir a responsabilidade enquanto são jovens, enquanto tem disponibilidade de ir à luta. Esse país não pode perder a democracia, por pior que ela seja”, afirmou o presidente.
Multidão na avenida
A avenida Paulista chegou a ser ocupada por 12 quarteirões, na maior parte de seus 2,8 km. Não houve estimativa oficial de público, mas a extensão da ocupação indicava ser a maior mobilização da esquerda no local desde os protestos contra o governo Jair Bolsonaro (PL). A concentração levou o Metrô a fechar a estação Trianon-Masp.
O Monitor do Debate Político no Meio Digital (USP/Cebrap) e a More in Common Brasil afirmaram que não divulgaram números porque a campanha não autorizou sobrevoo com drone. A Polícia Militar não informou se fez contagem de público e registrou ocorrências de tumulto, pichações e depredação durante a dispersão.
O primeiro levantamento do Datafolha após a definição do segundo turno aponta Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.
Crítica à Justiça Eleitoral
No palco, Lula apresentou governadores eleitos e reeleitos do Nordeste — Rafael Fontenelle (Piauí), Elmano de Freitas (Ceará) e Jerônimo Freitas (Bahia) — e lembrou que muitos eleitores paulistas são descendentes de nordestinos.
O ato se somou a uma mobilização digital liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que reuniu mais de 3 milhões de membros no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo a derrubada do canal, a pedido da campanha de Flávio, sob alegação de disseminação de desinformação.
Lula criticou a decisão e disse desconfiar do comportamento da Justiça Eleitoral. “Não é possível que um presidente [de tribunal] eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano”, disse, referindo-se a Kassio, indicado ao STF por Bolsonaro.
Segundo o petista, a corte eleitoral “tem bloqueado muita gente nossa”. “Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral. Acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral, porque já há alguns dias estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, completou.
Após a derrubada do canal, Janones gravou vídeo criticando a decisão, convocou apoiadores para um novo canal no Instagram e avaliou que a medida será um tiro no pé na campanha de Flávio Bolsonaro.
