O governo do presidente da Argentina, Javier Milei, registrou o fechamento de 32 mil empresas em menos de três anos de gestão. O número ganha repercussão também no Brasil porque o chamado “plano motosserra” é apontado como inspiração para o “tesouraço” defendido pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
A referência argentina
Flávio Bolsonaro (PL) disputa a corrida pelo Planalto com o “tesouraço” como uma de suas principais bandeiras econômicas. A proposta ecoa o modelo implantado na Argentina, onde Milei fez do corte de gastos o eixo central do governo e transformou a motosserra em símbolo de sua gestão. A analogia entre os dois projetos é direta: se do lado argentino opera a motosserra, do lado brasileiro fala-se em tesoura. Nos dois casos, a mensagem é a mesma — cortes profundos na despesa pública como núcleo do projeto econômico.
O paralelo entre os dois instrumentos resume, em imagens de corte, uma mesma agenda: a redução do gasto público como prioridade da gestão econômica.
O impacto sobre o setor produtivo
De acordo com os registros do próprio governo argentino, 32 mil empresas deixaram de operar no país em menos de três anos. O dado dimensiona o efeito do ajuste sobre o tecido produtivo e passa a integrar o balanço da política econômica de Milei. O fechamento em massa de negócios costuma significar perda de postos de trabalho, renda e capacidade de investimento, enquanto o equilíbrio das contas públicas figura como objetivo central do plano motosserra.
O volume chama atenção pelo ritmo: 32 mil encerramentos em menos de três anos indicam um processo contínuo de contração do parque empresarial do país vizinho. O quadro retrata uma economia submetida a um ajuste fiscal de grande escala.
O debate no Brasil
No Brasil, a experiência argentina entra na campanha presidencial como pano de fundo do debate sobre os limites do ajuste fiscal. A pergunta que se impõe é até que ponto cortes agressivos conseguem equilibrar as contas públicas sem comprometer a atividade econômica e o emprego. O termo “tesouraço”, usado pela campanha de Flávio Bolsonaro, sintetiza a promessa de enxugamento do Estado, na linha do que foi adotado pelo vizinho.
Enquanto o debate eleitoral brasileiro gira em torno da tesoura, a realidade argentina oferece um retrato em números do que a motosserra já produziu: 32 mil empresas fechadas em menos de três anos de governo Milei.
