O próximo presidente da República herdará um agronegócio que, apesar do peso decisivo na economia brasileira, segue convivendo com obstáculos estruturais que dificilmente serão superados dentro de um único mandato.

Entre as principais queixas do setor estão o endividamento dos produtores e o custo elevado do crédito, a cobertura insuficiente do seguro rural, as perdas causadas por eventos climáticos extremos, os gargalos de infraestrutura, a dependência de insumos importados e as barreiras que dificultam a abertura de novos mercados externos. O diagnóstico foi levantado junto a especialistas consultados pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Cinco frentes de ação

Diante desse cenário, a Abag formulou cinco propostas de políticas públicas destinadas a enfrentar os problemas apontados. A primeira delas trata de financiamento, seguro rural e resiliência climática da agroindústria, com a criação de um marco plurianual capaz de ampliar os recursos destinados ao setor. A proposta inclui ainda a instituição de um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas.

A segunda frente é uma política industrial voltada ao fortalecimento das cadeias estratégicas da agroindústria brasileira. A ideia é estimular a produção nacional de insumos para garantir a competitividade da indústria do país e eliminar o chamado “passivo regulatório”, que hoje atrasa a aprovação de novas tecnologias.

Na sequência, a entidade sugere uma política nacional de governança, planejamento e financiamento de infraestrutura agroindustrial, com foco na modernização e na harmonização dos processos de licenciamento e de autorização de empreendimentos do setor.

A quarta proposta prevê uma política de comunicação, educação e valorização da agroindústria, por meio de ações permanentes que ampliem o conhecimento da sociedade sobre a contribuição do setor para a segurança alimentar, a sustentabilidade, a inovação e o desenvolvimento econômico do país.

Por fim, a Abag defende uma política nacional de inserção internacional e de defesa da competitividade brasileira, com o enfrentamento das barreiras tarifárias e não tarifárias ao produto nacional. Nesse ponto, a proposta prevê atuação coordenada entre governo, instituições de pesquisa e setor produtivo.

Desafios de longo prazo

Apesar do pacote de sugestões, os especialistas ouvidos fazem uma ressalva importante: os desafios do setor têm dimensões distintas entre si, e parte das soluções não depende apenas de decisões pontuais do poder público. Alguns avanços exigem trabalho contínuo e articulado entre o governo federal e a iniciativa privada ao longo dos anos.

O quadro mostra que, qualquer que seja o resultado das eleições, o próximo ocupante do Planalto encontrará um setor econômico consolidado, mas que cobra respostas para questões que vão do crédito rural à logística de escoamento da produção e à abertura de novos mercados internacionais.