O capitão Ibrahim Traoré, presidente de Burkina Faso, completou quatro anos no comando do país e marcou a data com um gesto de forte simbolismo econômico: a inauguração da Raffinor-BF, primeira refinaria nacional de ouro do país. Durante a cerimônia, o mandatário dedicou parte de sua fala ao metal, recurso que está entre os principais pilares da economia local.

A entrada em operação da refinaria altera um padrão consolidado no setor minerador. Como não existia estrutura nacional de refino, o ouro extraído no território precisava ser processado fora do país. Com a nova unidade, o beneficiamento passa a ocorrer em solo burquinabê, movimento que tende a reter internamente parte do valor gerado pela atividade mineradora.

Quatro anos de governo

Traoré assumiu a presidência em 2022, por meio de um golpe de Estado, e consolidou-se como uma das figuras centrais do novo arranjo político do Sahel, ao lado dos governos de Mali e do Níger. Desde o início da gestão, o capitão defendeu uma linha de soberania sobre os recursos naturais, pauta que voltou ao centro com a inauguração da refinaria.

O aniversário de quatro anos, no entanto, ocorre em meio a um dos cenários mais desafiadores do continente africano. Burkina Faso convive, há anos, com uma onda de violência atribuída a grupos armados, que atinge comunidades em diferentes regiões do território e provocou o deslocamento de milhares de famílias.

“Terrorismo é o único mal que assola Burkina Faso”

No contexto da marca atingida pelo governo, um ativista resumiu o momento do país em uma frase: “terrorismo é o único mal que assola Burkina Faso”. A declaração chama atenção por colocar a insegurança acima de qualquer outra questão no balanço do período.

O enfrentamento ao terrorismo figura, de fato, como prioridade declarada da administração Traoré. A estratégia envolve a mobilização nacional e o reforço das forças de segurança, em uma tentativa de conter o avanço dos grupos armados pelo território.

Ouro e segurança no centro do debate

A combinação dos dois temas — a aposta econômica no ouro e a persistência da ameaça terrorista — resume o momento vivido pelo país. De um lado, o governo busca exibir resultados concretos na gestão dos recursos naturais, com a refinaria como principal vitrine. De outro, segue enfrentando uma crise de segurança que condiciona praticamente todas as áreas da vida nacional.

Caberá aos próximos anos mostrar se a aposta na industrialização do ouro produzirá os resultados esperados e se Burkina Faso conseguirá superar o mal apontado pelo ativista como o único que ainda assola a nação.