A disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) entrou para a história como o primeiro turno mais apertado de uma eleição presidencial desde a redemocratização. Com 99,98% das urnas apuradas, o senador registrou 47,03% dos votos válidos, contra 45,15% do presidente, o que representa uma diferença de apenas 1,88 ponto percentual, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em termos absolutos, a vantagem de Flávio equivale a cerca de 2,4 milhões de votos. Como nenhum dos postulantes atingiu a maioria absoluta dos válidos, os dois avançam para o segundo turno, agendado para 25 de outubro.
O resultado superou o recorde anterior, estabelecido em 2022, quando Lula terminou com 48,43% e Jair Bolsonaro (PL) com 43,2% — uma distância de 5,23 pontos, que até então era a menor da série.
Os demais nomes na disputa ficaram bem atrás: o escritor Augusto Cury (Avante) obteve 2,89%, seguido por Renan Santos (Missão), com 2,24%, e Ronaldo Caiado (União), com 2,18%. Todos os outros candidatos ficaram abaixo de 1% dos votos válidos.
Disputas históricas
A eleição de 2006 ocupa o terceiro lugar entre os primeiros turnos mais equilibrados. Na ocasião, Lula somou 48,61% dos votos válidos, contra 41,64% de Geraldo Alckmin, uma diferença de 6,97 pontos.
Em 2014, a distância entre Dilma Rousseff e Aécio Neves chegou a 8,04 pontos: a petista fechou o turno com 41,59%, enquanto o tucano obteve 33,55%. Os dados históricos levam em conta os resultados oficiais da Justiça Eleitoral.
Evolução das diferenças
Nos pleitos anteriores, a vantagem dos líderes era bem mais folgada. Em 1989, primeiro pleito presidencial direto após a redemocratização, Fernando Collor alcançou 30,47% dos votos, contra 17,18% de Lula — 13,29 pontos de diferença. Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso venceu o primeiro turno com folgas ainda maiores: 27,24 pontos sobre Lula no primeiro caso e 21,35 no segundo.
A partir de 2002, a briga voltou a se concentrar nos dois primeiros colocados. Naquele ano, Lula abriu 23,24 pontos sobre José Serra, mas a margem recuou para 6,97 pontos em 2006. Depois, voltou a subir, com 14,30 pontos em 2010 e 16,75 pontos em 2018.
Em 2022 e 2026, contudo, a distância entre os favoritos voltou a encolher e, neste ano, atingiu o menor patamar de toda a série histórica. Os resultados completos podem ser consultados nas bases de dados do Tribunal Superior Eleitoral.
