A Meta AI, assistente de inteligência artificial integrado ao WhatsApp, apresentou critérios distintos ao responder a pedidos de geração de imagens envolvendo nomes da política brasileira. Enquanto a expressão ‘Flávio 22’ resultou em uma imagem, as solicitações com ‘Lula 13’ e ‘Flávio Bolsonaro 22’ não tiveram o mesmo desfecho.
A disparidade chamou a atenção e reacendeu o debate sobre a neutralidade que as plataformas digitais devem observar em períodos eleitorais, exigência reforçada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pedidos parecidos, respostas diferentes
Os números citados nos comandos remetem às disputas eleitorais: o 13 é a numeração historicamente associada ao PT, legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o 22 ficou marcado pela campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e é hoje o número do PL. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, é senador pelo Rio de Janeiro.
O ponto que mais chamou atenção foi a assimetria no tratamento de pedidos sobre o mesmo político: a forma curta do nome, acompanhada do número, produziu uma imagem, enquanto a versão completa, ‘Flávio Bolsonaro 22’, não gerou resultado semelhante. O pedido envolvendo Lula com o número de campanha também não resultou em imagem.
Neutralidade exigida pela Justiça Eleitoral
A legislação eleitoral e as normas do TSE determinam que as plataformas digitais adotem tratamento isonômico em relação a candidatos, partidos e propostas durante as campanhas. Com o avanço da inteligência artificial generativa, tecnologia capaz de produzir imagens a partir de comandos de texto, o tema ganhou espaço nos debates da Justiça Eleitoral sobre as regras de propaganda e a integridade do processo eleitoral.
O episódio envolvendo a Meta AI ilustra a dificuldade prática dessa exigência. Ferramentas desse tipo operam com filtros de segurança que limitam a criação de conteúdo sobre pessoas reais, mas os critérios exatos que definem o que pode ou não ser gerado não são plenamente transparentes para o usuário. Quando as respostas variam entre nomes da política nacional ou entre formulações distintas de um mesmo pedido, surge a percepção de tratamento desigual.
Desafio para as big techs
O caso expõe o dilema das empresas de tecnologia: equilibrar mecanismos de proteção contra usos indevidos de imagens de pessoas reais com a necessidade de simetria no tratamento dos agentes políticos. À medida que a inteligência artificial ocupa papel crescente na produção e no consumo de informação, eventuais vieses, reais ou apenas percebidos, podem influenciar o debate público e atrair a fiscalização das autoridades eleitorais.
O episódio reforça a importância de critérios claros e auditáveis nas ferramentas de inteligência artificial, sobretudo em temas sensíveis como as disputas eleitorais, nas quais a neutralidade no tratamento de candidatos e partidos é exigida pela Justiça Eleitoral das plataformas que operam no Brasil.
