O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve a liderança em popularidade digital após o primeiro debate entre os candidatos à Presidência, realizado no domingo (18) pela Band. Segundo o IPD (Índice de Popularidade Digital), da empresa de pesquisas Quaest, a diferença entre ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) subiu para 6,7 pontos. Na sexta-feira (16), a vantagem era de 6,2 pontos.
Como o índice é calculado
O IPD é apurado por um algoritmo que coleta e processa 175 variáveis de plataformas como Facebook, Instagram, X (ex-Twitter), TikTok, YouTube, Google e Wikipédia, com resultados que variam de 0 a 100 pontos. O monitoramento mais recente foi feito até a segunda-feira (19).
Lula marcou 83,3 pontos, alta de 12,6 pontos em relação à véspera do primeiro turno, realizado em 5 de outubro. Flávio Bolsonaro registrou 76,6 pontos, queda de 3,5 pontos na mesma base de comparação.
O índice acompanha cinco métricas: presença nas principais redes sociais; fama (visibilidade e alcance de conteúdo); engajamento; mobilização (compartilhamentos e menções espontâneas); e valência (proporção entre reações positivas e negativas). O algoritmo também pondera o chamado “ruído” das redes, sobretudo de bots, para se aproximar do comportamento real do eleitor.
Recuperação petista nas redes
O resultado mostra que o desempenho de Lula voltou ao melhor patamar da série, marca atingida entre 8 e 11 de outubro, no período em que a campanha petista virou o jogo diante do adversário, que liderava o IPD com folga superior a 10 pontos antes do primeiro turno.
A alta do presidente ocorre mesmo com a internação do deputado eleito André Janones (Rede-MG), coordenador do “Exército do Lula” e peça central da guinada na comunicação digital petista. Janones interrompeu as postagens no canal de WhatsApp por algumas horas enquanto era atendido na UTI do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, com arritmia cardíaca após o debate. Ele recebeu alta e retomou as publicações.
Flávio Bolsonaro ensaia recuperação em relação aos 75,8 pontos de 16 de outubro, mas segue abaixo do pico de 81,7 pontos, alcançado em 6 de outubro, quando o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) declarou apoio ao candidato do PL após ser derrotado no primeiro turno.
Correlação com as urnas
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, o IPD tem funcionado como um termômetro das eleições. “Há um alto nível de correlação entre aquilo que o IPD mostra e o que a urna mostra”, afirmou, estimando a correlação atual em 86%.
Para o diretor, os cortes do debate divulgados nas redes favoreceram Lula e interromperam a reação que Flávio vinha construindo. Na véspera do embate, o senador teve o melhor dia desde o primeiro turno: subiu 1,6 ponto no IPD, concentrou 38% dos comentários e ganhou mais seguidores que o presidente. Depois do debate, Lula voltou ao patamar de 83,3 pontos e reassumiu a liderança também no ganho de seguidores.
Nunes ainda destacou que a mobilização digital pró-Lula, da qual Janones é uma das figuras mais centrais, apareceu com força no dia do debate. A dúvida, segundo ele, é se a curiosidade em torno de Flávio se converterá em apoio após o debate da TV Globo, marcado para a sexta-feira (23).
Seguidores e comentários
Nas métricas do IPD, Lula ganhou 178 mil seguidores no Instagram após o debate e soma 2,2 milhões desde o primeiro turno, com 18 milhões no total. Flávio conquistou 149 mil novos seguidores depois de domingo e acumula 1,8 milhão desde 4 de outubro, com 15 milhões no geral.
Em volume de comentários, Lula também virou o jogo. No dia da eleição, o senador concentrava 88% dos comentários nas postagens dos dois candidatos em todas as redes. Do dia seguinte em diante, os perfis de Lula passaram a receber a maior parte, chegando a 95% dos 6 milhões de comentários registrados no dia do debate.
As duas campanhas minimizaram o impacto do primeiro debate sobre o eleitorado, e aliados dos presidenciáveis indicam mudança de postura de ambos no encontro da TV Globo.
