Dos 22 ex-ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que disputaram as eleições de 2026, apenas 9 foram eleitos ao fim da apuração do primeiro turno, neste domingo (4). A maioria conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, e nenhum dos candidatos ao governo estadual teve êxito.
Em São Paulo, Fernando Haddad (PT), que comandou a Fazenda, disputou o governo estadual tendo Márcio França (PSB) como vice. França ocupou as pastas de Empreendedorismo e de Portos e Aeroportos. A chapa foi derrotada por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que contou com apoio do bolsonarismo.
Renan Filho (MDB), ex-titular dos Transportes, foi batido por JHC (PSDB) já no primeiro turno em Alagoas.
Camilo Santana (PT) deixou a Educação no primeiro semestre e optou por não disputar as urnas. Ele atuou nas campanhas do petismo no Ceará, onde Elmano de Freitas (PT) venceu a corrida ao governo ainda na primeira etapa, derrotando Ciro Gomes (PSDB), ex-aliado de Lula que passou a concorrer com apoio do bolsonarismo.
Senado
Dos oito ex-integrantes do primeiro escalão que miravam uma vaga no Senado Federal, somente dois obtiveram sucesso: Rui Costa, ex-chefe da Casa Civil, eleito pela Bahia, e Fufuca, ex-Esporte, eleito pelo Maranhão.
Entre os que não conseguiram estão Simone Tebet (Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Carlos Fávaro (Agricultura), Celso Sabino (Turismo) e Paulo Pimenta (Comunicação Social).
Seis ex-ministros foram eleitos deputados federais, enquanto três tentaram, mas não obtiveram êxito. Macaé Evaristo, que chefiou a pasta de Direitos Humanos, garantiu uma cadeira na Assembleia de Minas Gerais.
Geraldo Alckmin (PSB), ex-ministro da Indústria, segue para o segundo turno como vice-presidente na chapa de Lula.
Disputa pelo Senado e crise no STF
A disputa pelas vagas na Casa alta ganhou peso neste pleito diante da ofensiva bolsonarista para formar uma maioria capaz de pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal).
O Supremo viveu, durante a campanha, uma crise inédita após a revelação de proximidades entre ministros e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela fraude do Banco Master. Mensagens no celular de Vorcaro apontaram conversas com Alexandre de Moraes no dia da prisão, menções a pagamentos ao filho de Kassio Nunes Marques e negócios com Dias Toffoli envolvendo um resort.
Cabe ao Senado aprovar as indicações de ministros da corte e conduzir processos de impeachment. Parlamentares bolsonaristas pressionam pela abertura de processos contra integrantes do tribunal, sobretudo Alexandre de Moraes. Até hoje, nenhum ministro do STF foi afastado do cargo pelos senadores.
Em 2026, pela primeira vez desde 1894, a Casa barrou uma indicação presidencial para a corte: a de Jorge Messias, atual chefe da Advocacia-Geral da União.
Quem venceu e quem perdeu
Eleitos: Rui Costa (PT-BA, Casa Civil) e Fufuca (PP-MA, Esporte), senadores; Juscelino Filho (PSDB-MA, Comunicações), Jader Filho (MDB-PA, Cidades), Anielle Franco (PT-RJ, Igualdade Racial), Nísia Trindade (PT-RJ, Saúde), Sônia Guajajara (PSOL-SP, Povos Indígenas) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE, Portos e Aeroportos), deputados federais; Macaé Evaristo (PT-MG, Direitos Humanos), deputada estadual.
Não eleitos: Fernando Haddad (PT-SP, Fazenda) e Renan Filho (MDB-AL, Transportes), derrotados na disputa pelo governo; Márcio França (PSB-SP, Empreendedorismo e Portos e Aeroportos), vice; Simone Tebet (PSB-SP, Planejamento), Marina Silva (Rede-SP, Meio Ambiente), Gleisi Hoffmann (PT-PR, Relações Institucionais), Carlos Fávaro (PSD-MT, Agricultura), Celso Sabino (PDT-PA, Turismo) e Paulo Pimenta (PT-RS, Comunicação Social), ao Senado; Paulo Teixeira (PT-SP, Agricultura Familiar), Daniela Carneiro (Republicanos-RJ, Turismo) e Márcio Macedo (PT-SE, Secretaria-Geral), à Câmara.
Segundo turno: Geraldo Alckmin (PSB, Indústria e Comércio), vice na chapa presidencial de Lula.
