Coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram nesta quarta-feira (21) que o petista não vê obstáculo nas condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário político, para autorizar a quebra de sigilos.
A declaração foi dada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador político da campanha de Lula. Segundo ele, as exigências feitas por Flávio Bolsonaro devem ser encaradas como uma tentativa de ganhar tempo, uma espécie de “manobra”.
“Todas as condicionantes, a única resposta é que o presidente não se opõe em absolutamente nada que ele colocou, contanto que ele [Flávio Bolsonaro] faça”, afirmou Camilo Santana.
Disputa sobre a quebra de sigilos
O episódio integra o chamado “desafio dos sigilos”, embate público envolvendo os dois nomes sobre a divulgação de dados protegidos por sigilo. As manifestações de Lula e de Flávio Bolsonaro sobre o tema apresentam diferenças, o que tem alimentado o troca-troca entre as duas campanhas.
Ao colocar condicionantes para autorizar a abertura de seus sigilos, Flávio Bolsonaro buscou estabelecer requisitos prévios ao procedimento. A resposta da equipe de Lula, no entanto, foi no sentido de aceitar integralmente essas condições, desde que o senador também cumpra a sua parte e efetive a liberação dos dados.
A estratégia do petista, segundo o coordenador político, é não dar margem para que o adversário alegue impedimentos. Ao afirmar que o presidente “não se opõe em absolutamente nada”, Camilo Santana tentou devolver a Flávio Bolsonaro a responsabilidade pelo avanço — ou não — da quebra dos sigilos.
Manobra ou recuo?
Para a campanha de Lula, as condicionantes apresentadas pelo senador não representam um obstáculo real, mas sim uma forma de manobra destinada a escapar do compromisso público. A leitura do grupo petista é que, ao aceitar todas as exigências, o presidente elimina qualquer justificativa para que a liberação dos dados não ocorra.
O episódio ocorre em meio à disputa eleitoral, momento em que os dois lados utilizam o tema dos sigilos como parte da estratégia de confronto público. Enquanto Flávio Bolsonaro estabelece condições, a campanha de Lula responde afirmando disposição total para o cumprimento, desde que haja reciprocidade.
Até o momento da declaração de Camilo Santana, nesta quarta-feira (21), não havia registro de nova resposta do senador Flávio Bolsonaro às afirmações da coordenação da campanha petista. O impasse, portanto, segue aberto, e a atenção permanece voltada para o próximo passo de cada um dos envolvidos no chamado “desafio dos sigilos”.
