A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), não compareceu ao debate da TV Globo nesta terça-feira (29). Candidata à reeleição, ela lidera as intenções de voto em Brasília com 39%, segundo a nova pesquisa Quaest. O segundo colocado, Leandro Grass (PT), aparece com 23%.
A ausência foi comunicada à direção da emissora na noite de terça. De acordo com a campanha, Celina avaliou que se tornaria o principal alvo dos quatro adversários presentes e sofreria exposição desnecessária a cinco dias do primeiro turno. Outro ponto levantado pelo grupo é que, sem ela no palco, não haveria direito de resposta caso ela ou o governo fossem criticados nos embates entre os demais concorrentes — o que transformaria o programa em um ataque de quatro contra um.
Críticas pelo rombo no BRB
Mesmo ausente, a governadora foi duramente atacada pelos concorrentes pelo rombo causado ao BRB (Banco de Brasília) nas operações com o Banco Master. O Governo do Distrito Federal é o maior acionista do banco.
Valendo-se de regra da Globo que permite perguntas a candidatos que faltaram, Grass perguntou: “Cadê o dinheiro do BRB?”. Segundo o petista, “ela não está aqui porque ela não respeita você”.
Além de Celina e Grass, participaram do debate Paula Belmonte (PSDB), com 9% das intenções de voto, e Ricardo Cappelli (PSB), com 3%. Kiko Caputo (Novo), que registra 2%, teve a participação garantida por determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Celina era vice-governadora de Ibaneis Rocha (MDB) quando o BRB decidiu comprar o Banco Master. Seu candidato a vice, Gustavo Rocha (Republicanos), foi chefe da Casa Civil no governo Ibaneis.
Cappelli disse que Celina foi vice de Ibaneis “esse tempo todo” e agora afirma que não sabia de nada. Segundo ele, quando Ibaneis “caiu em desgraça porque desviaram mais de R$ 20 bilhões”, ela o escondeu e ele acabou deixando de ser candidato.
Grass afirmou ter descoberto nesta terça que o governo Celina enviou R$ 120 milhões do Fundo Nacional de Saúde para “tentar falsear o balanço do BRB”. Ele também cobrou explicações sobre mensagem revelada pela Folha em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro diz que a governadora não havia ficado de fora da operação BRB-Master.
“Nós descobrimos hoje que a Celina pegou o dinheiro do fundo de saúde, que era para estar investido em hospital, em unidade básica de saúde, e sabe para onde ela mandou? Para o BRB. Para tentar tapar o rombo que ela e o Ibaneis criaram”, disse Grass.
Paula ressaltou que o balanço do BRB ainda não foi publicado e acusou Celina de cometer “estelionato eleitoral”. Segundo a tucana, ela denunciou, quando deputada distrital, que o governo pretendia transferir a conta do BRB para a população. “Como você vai votar em algo que você não sabe?”, questionou.
Prejuízo sem dimensão conhecida
O tamanho do prejuízo do BRB ainda não foi tornado público. Desde que o escândalo Master veio à tona, nenhum relatório operacional foi apresentado, como as demonstrações dos resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano.
Celina tem defendido um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para recompor o caixa do banco, mas a medida enfrenta resistência dos grandes bancos, que participariam da operação como fiadores.
O debate também ocorreu sem José Roberto Arruda (PSD), que teve a candidatura barrada pelo TSE por conta de condenações por improbidade administrativa decorrentes da operação Caixa de Pandora. Até então, ele aparecia em terceiro lugar nas pesquisas.
