Paulo Delgado, ex-deputado federal por Minas Gerais e um dos fundadores do PT, criticou a expressão “Exército de Lula”, adotada para nomear o megagrupo de WhatsApp criado em apoio à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o cientista político, a nomenclatura é “patética” e desrespeita as vítimas da ditadura militar.

Grupo criado por Janones supera 8 milhões de integrantes

O grupo foi concebido pelo deputado André Janones (Rede-MG) e já ultrapassou a marca de 8 milhões de usuários. A ferramenta é considerada uma das principais responsáveis por impulsionar a candidatura de Lula no segundo turno das eleições de 2026.

Dentro da comunidade, Janones é chamado de “general” e costuma distribuir “missões” aos seguidores, emulando o linguajar típico da caserna. A lógica militar adotada na articulação digital da campanha petista é justamente o alvo das críticas do ex-parlamentar.

“Fere a memória de quem pediu reparação”

Segundo Delgado, que foi deputado constituinte e hoje está afastado do PT, estabelecer essa relação é desrespeitoso com os perseguidos pelo regime militar.

“Chamar de Exército de Lula é patético. Fere a memória de quem pediu reparação pelos crimes do regime militar. O PT nasceu para enfrentar os abusos do autoritarismo, não deveria adotar essa nomenclatura”, declarou o ex-deputado à coluna Painel, da Folha.

A crítica ganha peso por partir de um nome histórico da legenda. Delgado participou da Assembleia Nacional Constituinte e, embora tenha integrado o grupo que fundou o partido, hoje mantém distância da sigla.

O episódio evidencia um atrito no campo de apoio ao presidente, já que a terminologia bélica escolhida pela própria articulação da campanha passou a ser contestada por um dos nomes ligados à criação do PT.

Bastidores da campanha

As declarações foram publicadas pela coluna Painel, da Folha, editada por Fábio Zanini e produzida com a colaboração de Carlos Petrocilo e Gabriela Echenique. O espaço é dedicado a notícias e aos bastidores da política, e a matéria foi veiculada em 23 de outubro de 2026, no contexto do segundo turno da eleição presidencial.