A derrota de Lula (PT) para Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno colocou a esquerda em estado de alerta. Nos últimos dias, a campanha do presidente acelerou uma série de ações para tentar reverter a vantagem do adversário: atos de rua pelo país, reforço na tropa digital e iniciativas independentes de mobilização.

Trocas e nova estratégia

Lula recrutou influenciadores de esquerda, incluindo deputados federais e estaduais eleitos, promoveu mudanças no núcleo da campanha, endureceu o discurso sobre segurança pública, fez acenos a grupos que o rejeitam e estreou, aos 80 anos, vídeos em formato de selfie — apesar de ser refratário ao uso de smartphones.

Embora tenha demorado cinco dias para retomar agendas de rua, o presidente participou de atividades com a militância no fim de semana. Ele surpreendeu até aliados ao decidir, com menos de 12 horas de antecedência, ir ao ato na avenida Paulista no domingo (11).

Sem estimativa oficial de público, a manifestação ocupou 12 quarteirões da avenida e apontou ser a maior da esquerda no local desde os protestos contra o governo Jair Bolsonaro (PL). Além de São Paulo, outras 76 cidades receberam atos, caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens em apoio à campanha.

Entre petistas e apoiadores, há sensação de pânico e urgência: nunca um candidato que saiu atrás no primeiro turno venceu a disputa.

Jovens deputados e estudantes

Após a votação, o PT realizou uma sequência de reuniões para definir os próximos passos. Jovens deputados eleitos, como Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP), Jones Manoel (PSOL-PE), Luna Zarattini (PT-SP) e Renato Freitas (PT-PR), ficaram encarregados de percorrer o país, elaborar estratégias para as redes sociais e auxiliar nas propagandas eleitorais.

O grupo também faz a ponte com estudantes secundaristas e universitários, que lideram manifestações favoráveis ao presidente. O ato na Paulista, embora incorporado pela campanha, inicialmente seria promovido por grupos estudantis e movimentos sociais.

Novas missões para aliados

Lula manifestou insatisfação com o primeiro turno — “foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989” — e decidiu assumir o controle de mais atividades, incluindo a aprovação de roteiros de caminhadas e a prévia assistência aos programas eleitorais. Na Paulista, esteve acompanhado dos governadores reeleitos Rafael Fonteles (PI), Jerônimo Rodrigues (BA) e Elmano de Freitas (CE).

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) percorrerá o país para atrair eleitores que rejeitam Lula, mas também não querem votar em Flávio. Fernando Haddad (PT), derrotado no Governo de São Paulo, assumiu a coordenação petista no estado, enquanto Guilherme Boulos (PSOL) fará um giro pelo Sul, Sudeste e periferia da capital paulista.

A meta é ampliar a votação em estados com boa base de apoio, como Bahia, Ceará e Pernambuco, e visitar locais com alta abstenção ou disputa acirrada.

Segurança pública e novos anúncios

O petista recalibrou os discursos sobre segurança pública — “para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão” — e a crise envolvendo o Banco Master e o STF. Nos novos programas eleitorais, ampliou os ataques a Flávio Bolsonaro.

Lula também anunciou o perdão de dívidas de microempreendedores e busca aproximação com caminhoneiros, dois grupos que rejeitam sua candidatura. Aos integrantes da campanha, ficou determinado o engajamento em ações de rua diariamente.