A maioria das empresas brasileiras já inclui nas notas fiscais as informações básicas exigidas pela reforma tributária: os dados do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), os dois novos tributos simplificados criados pelo novo sistema.

Desde 2026, as notas fiscais vêm sendo preenchidas com as novas informações em fase de testes. A partir de 2027, as novas regras passam a valer e as alíquotas dos novos tributos começam a ser definidas e aplicadas de forma gradual.

Apesar do avanço, boa parte das companhias ainda não cumpre todas as adaptações necessárias na nota fiscal. É o que indica levantamento da Qive, empresa de tecnologia especializada em gestão de documentos fiscais.

Como foi o estudo

A consultoria analisou 337,3 mil CNPJs e 226 milhões de notas emitidas no primeiro semestre de 2026, entre empresas dos regimes de Lucro Real e Lucro Presumido — segmento que reúne as médias e grandes companhias, justamente as obrigadas a fazer a adaptação.

Do total de notas examinadas, 159,9 milhões (85%) já foram emitidas com os campos de IBS e CBS preenchidos em todos os itens. Em contrapartida, 137 mil CNPJs (40,71%) encerraram o primeiro semestre sem alcançar adesão completa aos novos campos tributários.

Dentre esses CNPJs, 28,47% ainda não aderiram aos novos padrões e 12,24% fizeram apenas adesão parcial.

Diferenças entre os estados

A análise também revela contrastes relevantes entre as unidades da federação. O Rio Grande do Sul registrou a menor proporção de empresas sem adesão, com 19,89%, seguido por Santa Catarina, com 24,72%.

Na outra ponta, Rio Grande do Norte, Ceará, Amazonas e Alagoas apresentaram índices superiores a 32% de CNPJs sem adesão, ainda que com proporções relativamente baixas de notas fiscais não aderentes.

São Paulo, maior emissor de notas fiscais do país, teve 13,94% das notas de mercadorias sem os campos tributários exigidos, percentual próximo à média nacional de 14,17%. No entanto, 30,21% dos CNPJs paulistas analisados ainda não haviam aderido às novas regras, taxa acima da média brasileira de 28,47%.