O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira (22.out.2026) que a Meta, controladora do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, terá de ser “reinventada”. A afirmação foi feita durante transmissão ao vivo ao lado do deputado federal André Janones (Rede-MG).

Segundo o petista, a empresa não pode acreditar que conseguirá enganar a humanidade “todo tempo”. As declarações ocorreram depois que a campanha de Lula levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegações de que ferramentas da Meta e do X teriam prejudicado a candidatura petista e favorecido a chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A coligação pediu a cassação da chapa do senador, e as empresas foram citadas como interessadas no processo. Em resposta ao TSE, a Meta afirmou que trata os conteúdos das duas campanhas de forma igual.

“A gente vai provar agora que a gente vai derrotar o império digital. A Meta vai ter que ser reinventada porque ela não pode achar que pode enganar a humanidade todo tempo”, afirmou o presidente.

Lula acrescentou que a companhia terá de “se enquadrar nos bons costumes e boas maneiras que a sociedade precisa para viver bem”. A live buscou mobilizar os integrantes do canal de WhatsApp Exército do Lula, administrado por Janones, na reta final do 2º turno.

Regulamentação das plataformas

Na transmissão, o presidente defendeu regras para as plataformas digitais e argumentou que crimes praticados na internet devem receber o mesmo tratamento dado aos delitos cometidos fora dela.

“Queremos liberdade de expressão com responsabilidade. Já fizemos a regulamentação, o ECA Digital, que é a melhor regulamentação já feita em qualquer país do mundo”, declarou Lula.

O ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente) estabelece normas específicas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.

Disputa na Justiça Eleitoral

O canal Exército do Lula também é objeto de uma disputa na Justiça Eleitoral. Em 11 de outubro, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do espaço após pedido da campanha de Flávio, que alegou divulgação de informações falsas. No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, ordenou o restabelecimento do canal.

Em 13 de outubro, Nunes Marques voltou a suspender o funcionamento do canal e exigiu seu registro na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula realizou o registro, mas informou que a medida não significava assumir a administração do espaço. No dia seguinte, o ministro determinou a reativação integral do canal, incluindo novas publicações e a entrada de seguidores.

Nesta quinta-feira (22.out), Nunes Marques deu 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico sobre o funcionamento do canal Exército do Lula. O ministro quer saber quais critérios a empresa usa para distinguir “mobilização legítima” de “comportamento coordenado potencialmente irregular”.