Debate ao governo do Rio passa por checagem

A TV Globo promoveu nesta terça-feira (29) um debate com os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro. Com mediação da jornalista Ana Paula Araújo, o encontro ocorreu na redação da emissora e foi transmitido ao vivo pela Globo e pelo g1.

Participaram, em ordem alfabética: André Marinho (Novo), Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD), Garotinho (Republicanos) e William Siri (PSOL). A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações.

Ataque a ônibus na Linha Vermelha

Ao citar a favela da Maré, André Marinho afirmou que, na véspera, dois ônibus com vidros estilhaçados ficaram ilhados e que 120 crianças estavam no local. A declaração é #FATO.

Na manhã de segunda-feira (28), criminosos interceptaram dois ônibus escolares na Linha Vermelha, perto do acesso à rodovia Washington Luís. Segundo o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), da Polícia Militar, o ataque foi represália a uma operação realizada antes no Complexo da Maré e serviu para atrair as forças de segurança para fora do conjunto de favelas. Cerca de 120 alunos de uma escola da Barra da Tijuca seguiam para uma excursão quando criminosos renderam os motoristas e tomaram as chaves.

Planos de contingência contra chuvas

Marinho também disse que apenas 17 dos 92 municípios do Rio têm algum plano de contingência contra chuvas fortes. A frase também é #FATO.

Levantamento da Frente Parlamentar de Prevenção às Tragédias Naturais e em Defesa da Moradia Digna da Alerj apontou que só 17 dos 92 municípios fluminenses tinham planos de contingência para o período de chuvas — 18,5% das cidades, pouco menos de uma em cada cinco. O dado foi divulgado em 22 de janeiro de 2025, em relatório coordenado pelo deputado Yuri Moura (PSOL), que mostrou ainda que 82% dos municípios não contavam com esse tipo de plano. A assessoria de Marinho confirmou que a fala se baseou no estudo.

Acusação contra Pedro Paulo

Douglas Ruas questionou Eduardo Paes ao chamar o deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), ex-secretário de Paes na prefeitura do Rio, de “agressor de mulheres, que bateu na sua esposa na frente das filhas”. A afirmação recebeu selo #NÃO É BEM ASSIM.

Em outubro de 2015, a revista Veja revelou que Pedro Paulo admitiu ter havido “descontrole” e “alguma agressão” em discussão com a ex-mulher, Alexandra Marcondes Carvalho Teixeira, em fevereiro de 2010. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou agressões a socos e pontapés depois que ela encontrou indícios de traição no apartamento do casal.

Em novembro do mesmo ano, Veja e Época noticiaram uma segunda acusação, com base em registro policial de 2008. No depoimento, Alexandra relatou xingamentos e socos no corpo e no rosto durante discussão dentro de um carro, na presença da filha do casal, então com 2 anos.

Em agosto de 2016, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou a investigação contra Pedro Paulo, então candidato do PMDB à Prefeitura do Rio, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por falta de provas. Segundo o procurador, Alexandra negou ter sido agredida, e os laudos apontaram que as lesões decorreram de gestos de defesa do deputado.

Quando o caso veio à tona, a assessoria do deputado divulgou carta assinada por Alexandra negando agressões. Em novembro de 2015, ela afirmou ao Ministério Público que não tinha interesse no prosseguimento da apuração, retratou-se e disse que as agressões “foram recíprocas”. Em vídeo, declarou que Pedro Paulo apenas se defendeu de uma crise de ciúmes.