O texto que se apresenta a seguir carrega uma dupla natureza: é, ao mesmo tempo, uma coluna e uma crônica, como o próprio título anuncia. Essa combinação de gêneros abre espaço para um tratamento menos convencional de um tema que domina o debate público contemporâneo — o poder concentrado nas mãos das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs.
Logo no início, o autor faz uma ressalva aos leitores: caso você não aprecie a obra de J.R.R. Tolkien, há a promessa de que o texto não se limitará a esse universo. A referência ao autor de O Senhor dos Anéis funciona, portanto, como ponto de partida e não como destino — um recurso literário para aproximar o leitor de questões que, à primeira vista, parecem distantes da fantasia.
A crônica tem, por definição, esse movimento: parte do cotidiano, de uma lembrança ou de uma cena aparentemente banal, e caminha rumo a reflexões mais amplas. É o que acontece aqui. O autor recorda que ainda era um adolescente quando determinadas experiências marcaram sua percepção de mundo, e é desse arquivo pessoal que emerge a motivação para escrever sobre o assunto.
O poder das big techs é um dos temas mais discutidos da atualidade. As gigantes do setor tecnológico controlam plataformas que mediam a comunicação de bilhões de pessoas, influenciam o fluxo de informação e ocupam espaço central no debate sobre regulação, privacidade e democracia. Ao tratar desse assunto em formato de crônica, o texto opta por um caminho diferente do da análise técnica ou do da reportagem factual: privilegia a observação sensível, o olhar pessoal sobre um fenômeno de escala global.
Essa escolha estilística não diminui a relevância do tema. Pelo contrário, a crônica permite traduzir em linguagem acessível questões complexas, aproximando o leitor comum de discussões que muitas vezes ficam restritas a especialistas. A referência a Tolkien ilustra esse método: a literatura serve de ponte para falar de poder, controle e das transformações provocadas pela tecnologia na vida das pessoas.
A memória da adolescência, mencionada pelo autor, também cumpre função narrativa. Ao evocar o próprio passado, o cronista estabelece um contraste entre o mundo de outrora e o presente dominado pelas plataformas digitais, convidando o leitor a refletir sobre o que mudou — e sobre o que permanece — na relação entre as pessoas e o poder.
Em suma, o texto se apresenta como uma crônica sobre o poder das big techs que não abre mão da dimensão literária. Com referências à obra de Tolkien e a lembranças da própria juventude, o autor constrói uma reflexão pessoal sobre um dos fenômenos mais decisivos do nosso tempo, sem abandonar o tom leve e provocador que caracteriza o gênero.
