O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) garantiu nesta terça-feira (29) que pretende permanecer na disputa pela Presidência da República “até o último minuto”, apesar das pressões internas no partido por sua retirada e do franco desempenho baixo nas pesquisas nacionais.
A declaração foi dada em entrevista ao portal Plox, em um contexto delicado: na mais recente pesquisa Datafolha, o presidenciável aparece com apenas 1% das intenções de voto, e a defesa pela desistência ganhou força dentro do Novo. Nesta segunda-feira (28), Ricardo Salles, candidato ao Senado pela legenda, abandonou a corrida para apoiar Guilherm Derrite (PP) e André do Prado (PL).
Compromisso assumido
Zema justificou a permanência alegando lealdade ao partido e aos apoiadores. “Tenho compromisso com o meu partido, meus apoiadores e comigo mesmo. Nunca desistir de nada. Acho que sair de campo antes de o juiz apitar é meio estranho”, disse. Ele acrescentou que, na vida pessoal, sempre conduziu “tudo até o final” e que levará adiante suas propostas e princípios, faltando cinco dias para a votação.
No plano nacional, o levantamento do Datafolha divulgado no dia 24 confirma a paralisação da candidatura: Zema registrava 3% em meados de agosto, caiu para 2% na rodada anterior e agora oscila em torno de 1%, com dificuldades para expandir sua base fora de Minas Gerais.
Frio com o sucessor
Dentro do próprio estado, o ex-governador também enfrenta entraves. Embora mantenham apoio mútuo declarado, Zema e seu sucessor no governo estadual, Mateus Simões (PSD), não apareceram juntos publicamente e raramente se mencionam no horário eleitoral gratuito na televisão.
No dia 19, Zema fez agenda em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, enquanto Simões atendia compromissos em Nova União e Bom Jesus do Amparo. Um dia depois, o presidenciável visitou a Igrejinha da Pampulha e a Feira Hippie, na capital, sem presença do aliado; Simões sequer divulgou atividades públicas.
Questionado sobre o distanciamento, Zema atribuiu a situação à rotina de viagens. “Como eu tenho percorrido todo o Brasil, acabei não estando tão presente em Minas como gostaria”, explicou, descartando qualquer racha entre os dois. Segundo ele, trata-se apenas de dificuldade de compatibilizar cronogramas, e reforçou o vínculo político com o governista, que foi seu vice-governador e “braço direito” na maior parte dos dois mandatos.
Movimentações no segundo turno
Sinal adicional de independência veio no dia 21, durante debate da Record Minas, quando Simões classificou seu palanque como o único apto a frear a esquerda no estado e manifestou preferência por Flávio Bolsonaro (PL) em hipótese de segundo turno presidencial. A coordenação do candidato sustentou que são “momentos distintos” do pleito e que a posição não altera o respaldo dado a Zema no primeiro turno. A assessoria de Simões também minimizou a falta de agendas compartilhadas, dizendo que isso “não muda a relação política nem o reconhecimento” dele pelo ex-governador.
Pelo PSD mineiro, não existe diretriz partidária sobre candidatos: a agremiação lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência e afirmará, em nota, que “respeita a autonomia de suas lideranças regionais” e considera válida qualquer opção contrária à reeleição do presidente Lula (PT). As equipes de Zema e do Novo não atenderam às solicitações da imprensa.
Ainda assim, o candidato evita falar em derrota antecipada. No recorte mineiro do Dataholha, ele soma 10% das preferências — resultado igual ao de agosto e superior aos 5% medidos em 14 de setembro. “A campanha só termina quando as urnas são abertas e apuradas. Quem acompanhminha eleição de 2018 sabe: tudo costuma acontecer nos últimos dias, quando o eleitor decide”, avaliou, durante visita à Feira Hippie, lembrando tratar-se de um ciclo eleitoral incomum, marcado pela insatisfação dos votantes com a classe política.
