Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) conquistaram as duas cadeiras de senador em disputa por São Paulo. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) divulgou o resultado às 19h30.

Com 99,99% das urnas apuradas, Derrite somava 30,59% dos votos, o equivalente a 13.271.916 sufrágios. André do Prado apareceu logo atrás, com 29,28% (12.701.161). Simone Tebet (PSB) registrou 19,23% (8.342.013) e Marina Silva (Rede), 18,12% (7.861.529).

Disputa equilibrada

A briga pelas duas vagas foi uma das mais acirradas do pleito no estado e dividiu o eleitorado entre dois polos. Derrite e Prado contavam com o respaldo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Marina e Tebet integravam a chapa encabeçada pelo presidente Lula (PT) e pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT).

As pesquisas de intenção de voto traduziram o equilíbrio. Nos cinco levantamentos da Quaest contratados pela Globo, Derrite liderou quatro, com índices entre 12% e 25%; a exceção foi o levantamento divulgado em 8 de setembro, quando Marina apareceu à frente.

No Datafolha, o cenário se inverteu: Marina liderou três das quatro rodadas, e Derrite só assumiu a ponta na pesquisa do sábado (3), véspera da votação.

Diferentemente da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, em que Tarcísio manteve folga confortável durante toda a campanha, a definição das vagas no Senado permaneceu em aberto até os últimos dias. Marina e Tebet amarraram suas candidaturas ao governo federal e à tese de recompor a base governista no Congresso, enquanto Derrite e Prado defenderam uma bancada alinhada ao campo conservador e crítica ao Planalto.

O g1 promoveu, pela primeira vez, um debate com candidatos ao Senado. Participaram Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania), Marina e Tebet. Derrite e Prado chegaram a confirmar presença, mas desistiram horas antes do encontro.

Guerra na direita

A candidatura independente de Ricardo Salles (Novo) provocou atrito dentro do próprio campo conservador e colocou em lados opostos dois ex-integrantes do governo Bolsonaro. Salles concentrou os ataques em André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a quem acusou de representar o “Centrão”, e não a direita.

O ex-ministro chamava o adversário de “filhote”, “cria” e “pupilo” de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e dizia que ele se apresentava como conservador apenas para capturar votos do eleitorado bolsonarista.

O confronto extrapolou a política e foi parar na Justiça. Em agosto, o TRE-SP condenou Salles ao pagamento de multa de R$ 10 mil por propaganda eleitoral antecipada e difusão de conteúdo depreciativo contra Prado. No mês seguinte, a corte determinou a retirada de vídeos publicados pelo candidato do Novo e aplicou nova multa, de R$ 5 mil, por divulgação de informações falsas contra o presidente da Alesp.

Apesar da ofensiva, Salles abandonou a disputa seis dias antes da eleição e anunciou apoio justamente a Derrite e Prado. Para justificar a decisão, afirmou que divergências entre candidatos do mesmo campo deveriam ser deixadas de lado diante do risco de uma nova vitória nacional de Lula e defendeu a união da direita.

Ataques às “forasteiras”

Marina e Tebet também enfrentaram críticas recorrentes dos adversários por não terem nascido em São Paulo. Marina, natural do Acre, foi alvo frequente de Salles, que questionava sua ligação com o estado. Tebet, nascida em Mato Grosso do Sul, foi citada como exemplo de candidatura sem raízes políticas paulistas.

O argumento buscava explorar um sentimento regionalista entre parte do eleitorado, mas foi rebatido pelos aliados das ex-ministras, que lembravam que o próprio Tarcísio, principal cabo eleitoral de Derrite e Prado, nasceu no Rio de Janeiro e construiu sua carreira política em São Paulo.