Multidão na Paulista

Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula (PT) reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), em discurso voltado principalmente aos jovens. A Marcha pela Democracia, convocada por estudantes, fandoms, movimentos sociais e partidos de esquerda, buscou reverter o desânimo após Flávio Bolsonaro (PL) encerrar o primeiro turno à frente do petista.

Além da capital paulista, atos ocorreram em 76 cidades, com manifestações, caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens, segundo o Comitê Popular de Luta, plataforma que reúne agendas da militância. Na Paulista, a concentração ocupou 12 quarteirões, a maior parte dos 2,8 km da via — multidão que a esquerda não reunia no local desde os protestos contra o governo Jair Bolsonaro (PL). Não houve estimativa oficial de público: o Monitor do Debate Político no Meio Digital (USP/Cebrap) e a More in Common Brasil não contabilizaram porque a campanha não autorizou sobrevoo com drone, e a Polícia Militar não informou se fez levantamento.

Discurso aos jovens

Lula reconheceu a dificuldade de se conectar com a juventude e defendeu a participação dos jovens nas decisões políticas. “A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer as coisas de cima para baixo”, afirmou. Ele disse ter aprendido uma lição com o ato, pediu que os presentes assumam responsabilidades na vida política e prometeu uma revolução tecnológica caso seja reeleito.

“Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto. Vocês têm que assumir a responsabilidade enquanto são jovens, enquanto tem disponibilidade de ir à luta. Esse país não pode perder a democracia, por pior que ela seja”, declarou o presidente. Ele apresentou os governadores do Nordeste Rafael Fontenelle (Piauí), Elmano de Freitas (Ceará) e Jerônimo Freitas (Bahia), e lembrou que muitos eleitores paulistas são descendentes de nordestinos.

Atos pelo país

Em Brasília, apoiadores ocuparam parte do Eixão Norte; no Rio de Janeiro, houve manifestação na orla de Copacabana. No Recife, milhares se concentraram no Parque 13 de Maio e caminharam pelo centro até o Marco Zero. Niterói teve uma das principais mobilizações fora das capitais.

Em Salvador, os atos ocorreram em Piatã, Campo Grande e Barra. Em Goiânia, militantes caminharam da Praça Universitária à Praça Cívica. Em Belo Horizonte, houve bandeiraço na rua dos Carijós e passeata pela Feira Hippie, na avenida Afonso Pena. Em Manaus, o ato “Vira Vira Lula” reuniu apoiadores no Largo de São Sebastião, seguido de carreata pelo centro. Também houve mobilizações em Vitória, Aracaju, Florianópolis, Campinas e Juiz de Fora.

Segundo turno

O PT tenta converter a presença nas ruas em votos, com estratégia de reduzir a abstenção e incentivar militantes a convencer eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno. No primeiro Datafolha após a definição do confronto, Flávio apareceu com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.

O apelo à militância vem depois de Lula admitir problemas na organização da campanha: na quarta-feira (7), ele disse a aliados que o esforço eleitoral foi o menos organizado de suas disputas presidenciais desde 1989.

A concentração levou o Metrô a fechar temporariamente a estação Trianon-Masp, da linha 2-verde. Em nota, a empresa afirmou ter acionado plano de controle de multidão e ampliado a oferta de trens em outras linhas. Acessos de ao menos duas estações foram vandalizados, com pichações, grades e estruturas de acesso quebradas.

No mesmo dia, Flávio Bolsonaro reuniu aliados na capital paulista para pedir mobilização no segundo turno, falar em evitar um clima de “já ganhou” e cobrar agilidade da Justiça Eleitoral contra o que chamou de mentiras da campanha petista.