A ala do MDB alinhada ao presidente Lula (PT) vai reagir à articulação interna favorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e anunciará nesta terça-feira (13) apoio formal à reeleição do petista. O grupo se reunirá em Brasília e prepara a divulgação de uma nota pública em defesa da candidatura do atual chefe do Executivo.
A corrente pró-Lula reúne de 10 a 12 diretórios estaduais da legenda e tem como base a maioria dos estados do Nordeste, além de Pará, Amazonas e Rondônia. Um encontro entre os integrantes do bloco e o próprio presidente não está descartado.
Nomes de peso na bancada
Integram a frente lulista figuras de destaque do partido, como o ex-governador do Pará Helder Barbalho, eleito senador, e os senadores reeleitos Eduardo Braga (AM), Marcelo Castro (PI) e Veneziano Vital do Rêgo (PB). Também fazem parte do grupo os senadores Renan Filho e Renan Calheiros, derrotados nas urnas, respectivamente, na disputa pelo Governo de Alagoas e por uma vaga no Senado.
Adesão a Flávio
No mesmo dia, a parcela do MDB que apoia Flávio Bolsonaro selará sua adesão em evento marcado para São Paulo. O bloco conta com o respaldo de 15 a 17 estados e foi articulado pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e pelos governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Daniel Vilela, de Goiás.
Desde que saiu na dianteira no primeiro turno da corrida presidencial, Flávio acumulou apoios de praticamente todo o centrão. Estão ao lado do senador a federação União Brasil-Progressistas, além dos partidos Republicanos, Podemos e Novo.
O candidato do PL também recebeu o endosso de três adversários derrotados na disputa pelo Planalto: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).
Partido dividido
A movimentação evidencia a divisão do MDB diante da eleição presidencial de 2026. Enquanto um segmento capitaneado por lideranças do Norte e do Nordeste defende a manutenção do partido na base do governo federal, outro, articulado a partir de São Paulo e de Goiás, aposta na candidatura do senador.
O gesto acontece no intervalo entre o primeiro e o segundo turno, período em que as legendas buscam consolidar alianças antes da decisão final nas urnas. Nos bastidores, a expectativa é de que a nota divulgada em Brasília sirva também como resposta aos diretórios que optaram por Flávio. O anúncio do bloco lulista pode ainda vir acompanhado de um gesto simbólico: a realização de um encontro com Lula, possibilidade que os articuladores não afastam.
