Um juiz federal dos Estados Unidos decidiu nesta terça-feira, 13, suspender a determinação do governo Donald Trump que impedia jornalistas da CNN, do MS Now e da Politico de entrarem na Casa Branca. O presidente havia retirado as credenciais dos profissionais dos três veículos em setembro, alegando que veiculavam “fake news” sobre sua gestão.

O magistrado distrital Timothy Kelly ordenou que a administração Trump restabeleça o acesso dos repórteres enquanto tramita na Justiça o processo movido pelas empresas de comunicação contra a medida de exclusão.

Argumentos da decisão

Segundo o juiz, há boas chances de os veículos de imprensa vencerem a disputa judicial. Na avaliação de Kelly, os veículos têm probabilidade de prevalecer não só com o argumento do devido processo legal, mas também com as duas teses fundamentadas na Primeira Emenda da Constituição americana, que assegura a liberdade de expressão e de imprensa.

Origem do conflito

O bloqueio aos jornalistas foi imposto por Trump em 18 de setembro. Na ocasião, o presidente acusou as três empresas de divulgarem “notícias falsas”, além de “ficções e mentiras”, por causa de coberturas críticas ao seu governo.

Em resposta, CNN, MS Now e Politico entraram com uma ação conjunta na Justiça pedindo a suspensão da punição. Uma liminar inicial chegou a devolver temporariamente as credenciais de acesso à Casa Branca aos repórteres, mas essa autorização perderia validade nesta quinta-feira, 15.

Com a nova decisão, o juiz prorrogou a medida e garantiu que os profissionais dos três veículos continuem entrando no palácio presidencial enquanto o mérito da disputa é analisado.

Na avaliação de Kelly, “o presidente Trump possivelmente vetou os autores da ação na Casa Branca porque acredita que a cobertura deles em geral é imprecisa e tendenciosa contra ele”.

Relação tensa com a imprensa

O atrito entre Trump e grandes veículos de comunicação não é novo. O presidente ataca com frequência publicações que fazem cobertura crítica de seu mandato e já se referiu à imprensa americana como “inimiga do povo”.

Desde o retorno ao poder, em janeiro do ano passado, o republicano também iniciou processos judiciais contra importantes grupos de mídia, como The New York Times, The Wall Street Journal e BBC, entre outros.

A decisão desta terça representa um revés para a estratégia do governo de restringir o acesso de veículos considerados hostis pelo presidente e mantém em vigor, por enquanto, o princípio da liberdade de imprensa no acesso às autoridades do Executivo americano.