O deputado federal Paulo Pimenta (PT-SP) foi à Argentina nesta 6ª feira (23.out.2026) pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O objetivo, segundo o petista, foi examinar o modelo econômico de Javier Milei (La Libertad Avanza), referência para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

Ao lado do cientista político peronista Santiago Tangir, Pimenta afirmou, em vídeo publicado nos perfis de Lula, que o ajuste fiscal de Milei resultou em cortes nas aposentadorias, nos programas sociais e nos investimentos públicos. “A mesma motosserra que passou por lá, agora ameaça passar no Brasil, pela tesoura de Flávio Bolsonaro”, afirma a legenda da publicação.

A visita ocorre depois de a coordenadora econômica de Flávio, Daniella Marques, dizer que o candidato pretende se inspirar no “Plano Motosserra” de Milei para executar o “tesouraço” previsto em seu plano de governo. “Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”, declarou.

Daniella informou que a equipe econômica já identificou mais de 1.000 normas que poderiam ser revogadas em um eventual governo. Ela defendeu ainda a redução de despesas públicas e a revisão de benefícios tributários, mas afirmou que programas sociais como o Bolsa Família seriam preservados.

Dados do ajuste argentino

Segundo Tangir, 65% do ajuste fiscal do país corresponde a cortes em aposentadorias e em programas sociais. O governo também paralisou obras públicas e reduziu os repasses às províncias, o que afetou serviços de saúde, educação e segurança.

O cientista político relatou ainda que o orçamento das universidades públicas sofreu redução superior a 1/3 no período, o que provocou queda na remuneração dos professores e dificuldades financeiras nas instituições.

Questionado por Pimenta sobre os efeitos dos cortes nas aposentadorias, Tangir afirmou que a redução dos benefícios, somada ao fim de programas de medicamentos gratuitos e de subsídios nas contas de serviços básicos, agravou a situação financeira dos aposentados. “O aposentado tem que escolher entre comprar um remédio ou comprar alimento”, disse.

Neste mês, a Argentina viveu a 5ª grande onda de protestos desde o início do mandato de Milei. Estudantes, aposentados e sindicalistas se uniram em manifestações simultâneas contra os cortes na educação e contra o decreto do governo que flexibiliza a venda de terras a estrangeiros.

Economia argentina

Quando Milei tomou posse, a inflação mensal do país girava em torno de 25%. Quase 3 anos depois, o índice caiu para cerca de 2%. O PIB subiu 4,4% em 2025, e a estimativa do Banco Mundial é de crescimento de 2,1% em 2026 e de 3% em 2027.

Por outro lado, mais de 30.000 empresas fecharam as portas no governo Milei. O número de postos formais de emprego privado caiu 245,6 mil em 31 meses.

A jornalista argentina Nancy Pazos disse no dia 10 de outubro que, caso Flávio vença a eleição, “o que vem é um filme de terror”. Ela comparou um eventual governo de direita no Brasil à gestão de Milei.

“Eu adoraria estar falando neste momento com os brasileiros […] eu venho do futuro. Eu sei o que vão dizer a vocês, que é preciso tentar outra coisa, que é preciso mudar. Me escutem, nós já tentamos. Aqui as fábricas fecham. Tem gente que faz 10 quarteirões de fila para um trabalho. Um ministro da Economia que, com a recessão em cima, culpa o Papa”, declarou, em referência ao ministro Luis Caputo, que citou neste mês a visita do papa Leão XIV em novembro como exemplo de “ruído econômico” que poderia ser provocado.