Aliados do presidente Lula (PT) aconselham o petista a comparecer ao Senado caso o fim da escala 6×1 seja aprovado pelos senadores. A votação está marcada para esta quarta-feira (14) e trata da redução da jornada de trabalho semanal, hoje fixada em seis dias de serviço e um de descanso por semana.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) chega ao plenário ainda sob dúvidas quanto à viabilidade de concluir os dois turnos de votação em uma mesma sessão. Ao menos três pessoas do círculo próximo ao presidente afirmam que a ida dele ao Congresso em caso de aprovação da proposta já é objeto de conversas internas.
O fim da jornada atual e a instituição de dois dias de repouso semanal figuram entre as principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula, que mantém pressão sobre o Congresso Nacional para a aprovação da medida.
Quebra de interstício
A base do governo trabalha para reunir as assinaturas necessárias à aprovação do requerimento de quebra de interstício, procedimento que permite antecipar o segundo turno de votação. Nesta terça-feira (13), a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), calculava já contar com ao menos 40 assinaturas favoráveis ao pedido.
No mesmo dia, o senador Camilo Santana, novo porta-voz da campanha do petista, evitou descartar a possibilidade de o presidente ir à Casa durante a apreciação da matéria.
Adversário muda de discurso
Pouco antes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência da República contra Lula, alterou o tom sobre o tema e anunciou que votará a favor da alteração constitucional. O reposicionamento do rival praticamente enterrou as intenções de tentar barrar o avanço da pauta no Senado.
“Vamos trabalhar [para isso]”, declarou Camilo Santana. “O importante é que é uma vitória para o povo brasileiro. Foi uma vitória o candidato adversário ter anunciado que vai votar a favor da escala. Mudou de opinião e a gente espera que ele não possa, no futuro, mudar de novo.”
Realizada em meio à disputa eleitoral, a sessão desta quarta-feira (14) pode consolidar no Senado uma das bandeiras centrais da reeleição de Lula, caso os senadores concluam os dois turnos de votação.
