A distância entre Flávio Bolsonaro e nomes que já foram próximos ao bolsonarismo vem chamando atenção no cenário político. Entre os ex-aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que declararam não votar no senador estão o general Santos Cruz, o deputado Kim Kataguiri e Joice Hasselman.

Crítica dura de Santos Cruz

O general Santos Cruz, que ocupou o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo durante o primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, foi quem fez a declaração mais contundente entre os três. Para ele, o movimento encabeçado pelo ex-presidente não corresponde ao que se propõe a ser.

“Bolsonarismo não é direita, mas vigarice, e a família é capacho dos EUA”, afirmou o ex-ministro, em avaliação que combina crítica ideológica e ataque direto à conduta da família Bolsonaro em relação aos interesses brasileiros.

A fala de Santos Cruz tem peso simbólico por vir de alguém que integrou o núcleo político do governo no seu início, participando da articulação com o Congresso e com o centrão em um momento sensível da gestão. O rompimento de figuras que estiveram dentro do primeiro escalão revela o grau de desgaste nas relações entre o ex-presidente e parte de seus antigos colaboradores.

Outras rupturas no campo bolsonarista

Além do general, o deputado Kim Kataguiri e Joice Hasselman também integram o grupo de ex-aliados que descartam apoio ao senador Flávio Bolsonaro. A adesão dos três a essa posição ilustra um fenômeno maior: a fragmentação do eleitorado e da liderança que se formou em torno de Jair Bolsonaro ao longo dos últimos anos.

Kataguiri, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), construiu sua trajetória política em sintonia com a agenda liberal e chegou ao Congresso com apoio do campo bolsonarista. Sua decisão de se afastar da família política do ex-presidente reforça o quadro de rupturas que vem se acumulando.

Um sinal para 2026

O conjunto de declarações e posicionamentos de ex-apoiadores indica que Flávio Bolsonaro não pode contar com a unidade do campo que elegeu seu pai. Para o senador, que projeta candidatura própria, reconstruir pontes com setores que romperam com a família se tornou um dos principais desafios políticos do momento.

A frase de Santos Cruz, ao classificar o bolsonarismo como “vigarice” e acusar a família de submissão aos Estados Unidos, tende a repercutir no debate político e a alimentar a discussão sobre o futuro do movimento e de suas lideranças.