O Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente criado para revisar as decisões da empresa, afirmou nesta terça-feira (20) que a companhia responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp comete falhas recorrentes na moderação de conteúdo relacionado a eleições. A entidade cobrou mais transparência e consistência na aplicação das próprias regras da plataforma.

Casos no Brasil e nos Estados Unidos

O órgão citou restrições técnicas que atingiram contas do presidente Lula (PT), candidato à reeleição no Brasil, e perfis de ativistas políticos nos Estados Unidos. Segundo o conselho, a Meta precisa proteger a liberdade de expressão durante períodos eleitorais, em vez de restringi-la de forma indevida.

O documento foi publicado em meio à disputa eleitoral brasileira e às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para novembro. Para o grupo, os problemas de moderação ocorrem de duas maneiras: pela aplicação excessiva das regras, que pode suprimir manifestações políticas legítimas, ou pela aplicação insuficiente, que compromete a integridade do processo eleitoral.

No caso brasileiro, o conselho avaliou que a aplicação excessiva das políticas contra fraudes às contas de anúncios de Lula configurou uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas para revisão.

A manifestação do órgão acontece após a Folha revelar que as contas do petista nas redes sociais foram prejudicadas por restrições. A Meta afirmou que não interfere em eleições no Brasil e classificou os problemas como ‘incidentes técnicos’. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) chegou a determinar que a empresa comprovasse tratamento igualitário às campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL).

Críticas também ao caso americano

O conselho também criticou a atuação da empresa nos Estados Unidos, mencionando erro na aplicação de regras a contas do movimento ‘No Kings’, que organiza manifestações contra o presidente Donald Trump. Segundo o órgão, o episódio deveria ter sido evitado pelos mecanismos internos de prevenção de erros da plataforma.

O texto questiona ainda por que as contas do movimento não estavam incluídas no programa de verificação cruzada da Meta, que serve para identificar entidades cívicas relevantes e garantir revisão humana das decisões.

Falta de métricas públicas

O Conselho de Supervisão lembrou que, após os problemas registrados nas eleições brasileiras de 2022, já havia recomendado a criação de critérios mensuráveis para avaliar a eficácia das medidas de integridade eleitoral.

Segundo a entidade, a empresa divulga apenas indicadores gerais, como o número de anúncios armazenados e de contas removidas, mas não apresenta métricas públicas capazes de mostrar, de forma transparente, se a moderação funciona ou quais são suas principais deficiências.

A Meta anunciou em 2025 que adotaria uma abordagem para permitir mais manifestações e reduzir erros em períodos eleitorais. Para o conselho, os episódios recentes demonstram que a companhia ainda precisa avançar para cumprir esse compromisso.