Ministro do TCU aponta risco de colapso no pagamento de aposentadorias
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, afirmou que o descontrole da dívida pública pode deixar o governo sem recursos para pagar aposentados e pensionistas do INSS. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Nardes declarou: “Está colapsando a economia nacional”.
Segundo o ministro, a dívida pública saltou de 72% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Nardes, o governo promoveu uma “desorçamentação” das contas públicas, ou seja, passou a gastar cada vez mais fora do Orçamento da União. De acordo com as contas dele, a parcela não contemplada pelo Orçamento já alcança 326 bilhões de reais.
Paralelo com as pedaladas fiscais
Nardes comparou o cenário atual às pedaladas fiscais praticadas durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, cuja constatação embasou o pedido de impeachment dela em 2016. “Houve manipulação lá atrás nas contas da presidente e volta a acontecer”, afirmou. O ministro foi relator, no TCU, do processo que recomendou a rejeição das contas do governo Dilma.
No vídeo, Nardes informou que decidiu deixar um alerta “muito forte” em seu parecer sobre a prestação de contas do governo federal deste ano: a Previdência Social apresenta um rombo de 404 bilhões de reais.
“Não haverá aposentadoria”, diz ministro
Dirigindo-se a quem pretende se aposentar pelo INSS, o ministro foi categórico: “como está, não haverá aposentadoria”. Segundo ele, “não temos mais economia suficiente nem para pagar os aposentados hoje, e quem dirá futuramente”.
A manifestação pública ocorre às vésperas do segundo turno da eleição presidencial e aumenta a pressão para que o próximo presidente adote um ajuste fiscal capaz de conter a expansão da dívida pública.
Para a maior parte dos economistas, sem esse ajuste, o próximo governo enfrentará uma grave crise. Isso porque os gastos obrigatórios consumirão praticamente todo o Orçamento, restando poucos recursos para investimentos e para a manutenção da máquina pública.