O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, declarou publicamente que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1, mas fez chegar a aliados a garantia de que pretende revisar pontos do texto caso seja eleito.

Interlocutores do parlamentar e representantes do setor empresarial relataram que receberam a confirmação de que, com Flávio no Palácio do Planalto, alguns pontos da PEC apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) voltarão a ser discutidos no Congresso Nacional.

Nesta terça (13), o candidato participou do Grande Encontro do Associativismo, realizado no Clube Monte Líbano, em São Paulo.

Mudança de postura

A declaração de voto favorável marca uma mudança de posição do candidato. Em meio à pressão de apoiadores do governo Lula nas redes sociais, que exigiam uma definição sobre o tema, e a 12 dias do segundo turno, o bolsonarista anunciou que será favorável ao texto.

Ao mesmo tempo, o senador buscou tranquilizar empresários que vinham pressionando os senadores a rejeitar a proposta. Nos bastidores, confidenciou que fará uma revisão de alguns pontos após a eleição.

Segundo apuração, a ideia não é derrubar a PEC do fim da 6×1, mas aprovar ajustes que abram brecha para a negociação entre empresas e trabalhadores.

Proposta em debate

Apresentada pela oposição e criticada por parlamentares governistas, a PEC permite que os trabalhadores adotem um regime flexível, com horas trabalhadas e negociadas diretamente entre patrão e empregado.

O governo Lula corre contra o tempo para aprovar a proposta antes do segundo turno. Nas redes, integrantes do governo pressionavam Flávio a se manifestar sobre como votaria.

Equilíbrio entre apoiadores e empresários

O movimento do candidato ilustra o esforço para atender a dois públicos distintos: os trabalhadores que defendem o fim da escala atual e os empresários preocupados com o avanço da proposta no Congresso.

Com a declaração pública de apoio e a promessa privada de revisão, Flávio tenta evitar desgastes nas duas pontas até a votação do segundo turno.