O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) marcaram presença em homenagens a Nossa Senhora Aparecida nesta segunda-feira (12), feriado da padroeira do Brasil, em meio à tensão que marcou a disputa eleitoral no primeiro turno.
Flávio, candidato à Presidência e professo evangélico, esteve em missa na Catedral de Brasília. Já Lula acompanhou celebração na capela do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), por sua vez, participou de missa solene na Basílica de Aparecida, no interior de São Paulo.
Os acenos ao eleitorado católico se repetiram nas duas campanhas após a polêmica criada a partir de uma notícia falsa que circulou entre os eleitores.
Origem da polêmica
A controvérsia começou depois que Flávio prometeu que, se eleito, um de seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A declaração abriu caminho para a disseminação da versão de que o senador teria um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
“Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto”, negou o candidato, em vídeo publicado em suas redes sociais.
Um projeto com esse teor, na verdade, foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), que anos depois atuou como assessor especial da Presidência no governo Jair Bolsonaro. A proposta foi arquivada no ano seguinte. A história, no entanto, ganhou força entre parte do eleitorado católico e virou artilharia política entre as duas candidaturas.
No primeiro turno, Flávio chegou a acusar a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de ajudar o PT a espalhar a notícia falsa, mas depois recuou.
Gestos de Flávio e Lula
Ao deixar a missa na capital federal, uma das atividades das Festividades da Padroeira, Flávio avaliou que o ambiente foi acolhedor e afirmou respeitar a fé de milhões de brasileiros. “Somos todos cristãos. […] Está nas mãos de Deus o futuro da nossa nação”, declarou.
O senador ainda celebrou a data por outro motivo: após decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, voltou a estar autorizado a visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar depois de condenação por tentativa de golpe de Estado. “Estou muito feliz que o Dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que eu estou novamente autorizado a visitar o meu pai, vítima de uma injustiça”, disse à imprensa.
Flávio foi acompanhado da mulher, Fernanda, do vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL-AL), da conselheira econômica Daniella Marques (PL) e dos parlamentares Bia Kicis (PL-DF), Izalci Lucas (PL-DF) e Simone Marquetto (PP-SP), que carregou a imagem de Nossa Senhora no templo. Todos foram citados pelo padre Agenor Vieira na homilia, quando o celebrante se referiu ao candidato como “querido” e o declarou bem-vindo à igreja. Flávio não foi vaiado nem aplaudido.
O senador rezou o Pai-Nosso, mas não o Credo, e, no momento da oferenda, apontou o celular para o QR Code para fazer um pagamento.
Na homilia, Agenor afirmou que Maria é a mãe de todos e que as diferenças entre as pessoas são “uma maravilha”. Ele também orou “pelos governantes que vão tomar posse em janeiro aqui no Distrito Federal e também no cenário nacional”, para que sejam, “a exemplo de Maria”, instrumentos de paz e de harmonia.
Já Lula afirmou que a celebração no Alvorada homenageava a santa “sobretudo num instante em que a Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião dos outros”.
“Esse gesto é para a gente poder mostrar que em um país civilizado, um país harmônico, um país democrático, ou seja, cada um segue a religião que quiser e todos nós temos que respeitar”, completou o petista, ao lado da primeira-dama, Janja, do governador do Piauí, Rafael Fontelles (PT), e do senador Camilo Santana (PT-CE).
