Sete meses depois de assumir a Presidência do Chile, o presidente José Antonio Kast, da extrema-direita, enfrenta um cenário de forte desgaste político. A desaprovação ao seu governo atingiu 65%, enquanto o país convive com desemprego de 9,6% e uma economia estagnada — um conjunto de fatores que dificulta o cumprimento das promessas feitas ao eleitorado durante a campanha.

Desgaste acelerado

Uma rejeição de 65% em menos de um ano de mandato chama atenção pela velocidade. O governo que chegou ao poder com a expectativa de promover mudanças rápidas não conseguiu, até aqui, sustentar a confiança de parte expressiva dos chilenos. O quadro representa um obstáculo político relevante: presidentes com índices de reprovação elevados nos primeiros meses tendem a enfrentar maior resistência para avançar com suas agendas e para mobilizar apoio popular em momentos de decisão.

O diagnóstico é ainda mais delicado porque os principais problemas apontados contra a gestão — desemprego alto e economia parada — são justamente os temas em que eleitores costumam cobrar resultados mais imediatos. A percepção de que as promessas de campanha não estão sendo cumpridas alimenta o descontentamento e pressiona a imagem do presidente.

Economia pesa contra o governo

No plano econômico, os números ajudam a explicar o descontentamento. O desemprego no Chile está em 9,6%, e a atividade dá sinais de estagnação. A combinação de falta de postos de trabalho e crescimento fraco pesa no orçamento das famílias e influencia de forma direta a avaliação do governo.

Esse contexto cria dificuldades concretas para o Executivo transformar discursos de campanha em entregas verificáveis. Sem crescimento consistente e com parte da força de trabalho desocupada, as promessas que sustentaram a vitória eleitoral esbarram em limites fiscais e sociais cada vez mais evidentes, ampliando o espaço da crítica.

Apoio vindo do Brasil

A experiência chilena era acompanhada de perto no Brasil. A extrema-direita que levou Kast à Presidência contou com o apoio do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O desgaste precoce do governo, portanto, ressoa também fora do Chile, entre os setores que enxergavam no país vizinho uma referência para o próprio projeto político.

Com o mandato ainda no início, o desafio do governo Kast é reverter o quadro de insatisfação antes que a rejeição se consolide. Para isso, será preciso apresentar resultados capazes de responder às principais demandas da população — em especial no terreno econômico, onde se concentram os indicadores mais sensíveis para o eleitorado, como emprego e recuperação da atividade.