Horas depois de diversos partidos de centro sinalizarem que apoiarão a reeleição de Hugo Motta no comando da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa colocou em votação, nesta quarta-feira, o projeto que amplia o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e perdoa dívidas de inadimplentes da categoria. A matéria foi aprovada com o apoio de 461 deputados e registrou apenas quatro votos contrários.

Envio às vésperas do segundo turno

O texto foi encaminhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana, em um último movimento para tentar atrair o voto dos microempreendedores na segunda etapa da corrida presidencial. A proposição segue agora para apreciação do Senado e pode ser votada nos próximos dias, às vésperas da decisão pelo comando do Palácio do Planalto.

Segundo aliados do paraibano, ele teria sido encorajado a submeter a proposta à análise do plenário porque já não deve depender do PL para ser reconduzido à principal cadeira da Mesa Diretora da Casa no ano que vem. Mais cedo, dirigentes de legendas de centro se reuniram com Motta e indicaram que apoiarão sua permanência no posto. Há expectativa de que siglas de esquerda também endossem a candidatura.

Com esse quadro, o PL, apesar de contar com mais de 120 deputados eleitos, não terá força suficiente para impedir que Motta siga à frente da Câmara no próximo ano.

Aproximação com o petista

Antes do primeiro turno, Motta defendeu publicamente a eleição de Lula. O petista é forte na Paraíba, e o chefe do Legislativo alimentava a esperança de que isso pudesse ajudar seu pai, Nabor Wanderley, a ser eleito ao Senado — o que acabou não acontecendo.

Apesar de o Republicanos ter fechado apoio a Flávio Bolsonaro, Motta decidiu não embarcar na adesão. Ao pautar a matéria do governo nesta quarta-feira, o presidente da Câmara deu mais uma prova de que prefere a reeleição do petista.