O primeiro turno das eleições expôs as forças políticas que dividem o eleitorado de Minas Gerais. Republicanos e PL, do campo da direita, e PT, da esquerda, saíram das urnas com as principais conquistas no estado, tanto na disputa pelo Senado quanto na corrida por cadeiras na Câmara dos Deputados.
Estudado como um “estado pêndulo” por alternar entre direita e esquerda nas últimas três décadas, Minas vive hoje uma divisão clara entre seus eleitores. O estado também é apontado como “espelho do Brasil”, já que acompanhou o resultado nacional nas eleições presidenciais desde a redemocratização — padrão que se repete agora na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Estado no radar das campanhas
O cenário reforça o peso de Minas no segundo turno, e o estado virou prioridade para as duas campanhas nos últimos dias. Nesta quarta-feira (21), Lula participou de um ato no Centro de Belo Horizonte. Na semana passada, o petista passou por Juiz de Fora, na Zona da Mata, e por Ipatinga, no Vale do Aço. Flávio Bolsonaro visitou Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, e tem ato marcado com apoiadores em BH no sábado (24).
Divisão nas urnas
Os números do primeiro turno mostram o equilíbrio. Flávio Bolsonaro venceu em votos totais no estado, mas Lula liderou em maior número de municípios. Na eleição ao Senado, em 4 de outubro, os mineiros elegeram um nome de cada campo: Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT).
Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou a maior bancada de Minas, com 21 representantes, repetindo o quadro nacional. Ainda assim, entre os 10 deputados federais mais votados no estado, 5 são do PT e apenas 2 do PL.
Campeões de votos viram articuladores
Entre os eleitos estão alguns dos principais mobilizadores das campanhas presidenciais. Nikolas Ferreira (PL), deputado mais votado do país e aliado de Flávio, atua na mobilização pela direita. Do lado lulista, Ana Elisa (PT), segunda mais votada e mulher mais jovem eleita para a Câmara, aos 21 anos, tornou-se referência para o segundo turno, ao lado do deputado reeleito André Janones (Rede).
Governo fugiu da divisão
A eleição para o governo de Minas não seguiu o padrão equilibrado das outras disputas. Cleitinho Azevedo (Republicanos) venceu já no primeiro turno, com 55,4% dos votos — quase 30 pontos percentuais à frente do segundo colocado.
Alinhado a Flávio Bolsonaro, o governador eleito, porém, defendeu uma bandeira atual da esquerda: o fim da escala 6 x 1 no Senado, pauta também de Lula. Cleitinho chegou a afirmar que foi responsável por mudar a posição de Flávio sobre o tema, e o senador terminou votando a favor da PEC que acaba com a escala. O republicano também tem dito que dialogará com o futuro presidente, seja ele Flávio ou Lula.
Colégio eleitoral pesado
Minas Gerais tem o segundo maior eleitorado do país, com 16,3 milhões de eleitores, atrás apenas de São Paulo. No primeiro turno, o índice de abstenção no estado ficou acima do percentual registrado no Brasil.