Um grupo de bispos católicos ligados a dioceses de todas as regiões do Brasil divulgou uma carta aberta na qual posiciona-se de forma contrária à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Senado Federal. Segundo o documento, a candidatura do senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, representa uma ameaça à democracia e contraria os ensinamentos da Igreja Católica.
Crítica ao candidato
Na carta, os bispos afirmam que a candidatura de Flávio Bolsonaro “ameaça frontalmente diversos pontos centrais” da democracia brasileira. O texto também sustenta que a atuação do parlamentar entra em contradição com os princípios defendidos pela Igreja Católica, o que, segundo os signatários, torna incompatível o apoio eleitoral ao nome.
O documento foi assinado por prelados de diferentes partes do país, o que, segundo o próprio texto, demonstra que a preocupação não se restringe a uma única região, mas atravessa as diversas realidades sociais e eclesiais do Brasil.
Chamado aos fiéis
Embora a íntegra do conteúdo da carta trate da relação entre a candidatura e os valores defendidos pela instituição religiosa, o posicionamento público de bispos contra um candidato em ano eleitoral é considerado um gesto de peso, dada a influência da Igreja Católica sobre parcela significativa do eleitorado brasileiro.
Historicamente, a hierarquia católica no Brasil costuma evitar manifestações diretas contra nomes específicos em disputas eleitorais, privilegiando orientações de caráter geral sobre valores e princípios que deveriam nortear o voto dos fiéis. A opção por citar nominalmente um candidato e qualificar sua candidatura como ameaça democrática, portanto, chama a atenção no cenário político.
Cenário eleitoral
Flávio Bolsonaro, filiado ao PL, disputa uma cadeira no Senado Federal. O senador é um dos nomes políticos da família Bolsonaro com maior visibilidade nacional, tendo exercido mandatos no Legislativo fluminense antes de chegar à Casa Alta do Congresso Nacional, para a qual foi eleito pela primeira vez em 2018, pelo estado do Rio de Janeiro.
A divulgação da carta ocorre em um momento de intensa disputa política no país, com debates acalorados sobre o futuro das instituições democráticas brasileiras ocupando espaço central no pleito. Manifestações de líderes religiosos sobre o rumo da política nacional têm ganhado destaque, tanto no campo católico quanto no evangélico, que juntas representam a maioria da população brasileira.
Até o momento da publicação desta reportagem, não havia registro de resposta pública da campanha ou do próprio Flávio Bolsonaro às críticas feitas pelos bispos na carta divulgada.