Carmine Aurea Pellenz transformou a dor pessoal em repúdio público. Em entrevista à TV 247, a viúva relatou a perda do marido, Cleiber, que morreu aos 34 anos após 21 dias intubado, e rejeitou com firmeza as suspeitas de irregularidades que cercam as negociações envolvendo vacinas contra a Covid-19.

A perda que marcou a família

No depoimento, Carmine relembrou a angústia vivida pela família durante os dias em que Cleiber esteve internado. Vinte e um dias com o marido conectado a aparelhos, sem poder estar perto da forma que gostaria, definiram um período de sofrimento que ela descreveu como devastador para todos os que acompanharam a luta dele contra a doença.

Aos 34 anos, Cleiber fazia parte do contingente de vítimas jovens da pandemia, o que, segundo o relato da viúva, tornou a perda ainda mais difícil de compreender e de absorver para a família, que não esperava ver um ciclo de vida interrompido tão cedo.

“A vida não é comércio”

Diante das revelações que apontam suspeitas de negociatas envolvendo a compra de imunizantes, Carmine foi categórica ao resumir seu posicionamento: a vida não é comércio. Para ela, é inaceitável que interesses escusos possam ter atravessado um momento em que cada dose de vacina representava a chance de salvar vidas e evitar histórias como a do próprio marido.

A viúva vinculou o repúdio à experiência pessoal que viveu. Em sua avaliação, quem perdeu um ente querido para a doença enxerga com outros olhos qualquer indício de que a saúde pública possa ter sido tratada como moeda de troca em negociações feitas no meio da maior crise sanitária das últimas décadas.

Revelações que atingem o senador Flávio Bolsonaro

As declarações de Carmine ganham repercussão em um contexto de revelações que colocaram sob suspeita negociações ligadas às vacinas e que envolvem o nome do senador Flávio Bolsonaro. Os fatos vêm alimentando o debate público sobre a conduta de agentes políticos durante o período mais crítico da pandemia.

Para a viúva, o cenário reforça a necessidade de apuração rigorosa. Em sua fala, há um apelo implícito à responsabilidade: enquanto famílias inteiras carregam o luto de quem não teve a chance de ser salvo, desvios e suspeitas de enriquecimento em torno do esforço de imunização não podem ser naturalizados.

Dor pessoal que virou voz pública

O relato de Carmine Aurea Pellenz na TV 247 soma-se às vozes de familiares de vítimas da Covid-19 que passaram a ocupar espaço no debate político do país. Ao unir a memória de Cleiber à crítica às negociatas, ela converteu a angústia privada em um manifesto contra a banalização da vida em meio à crise.