Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) participaram nesta terça-feira (29) do debate da Globo entre candidatos ao Governo de São Paulo. Com mediação do jornalista Alan Severiano, o encontro ocorreu na redação da TV Globo na capital paulista e foi transmitido ao vivo pela emissora e pelo g1. A equipe de checagem Fato ou Fake analisou as principais declarações do embate.
Comando Vermelho no interior e no litoral
Haddad afirmou que as primeiras notícias da presença do Comando Vermelho surgiram na região de Piracicaba e Rio Claro, que depois apareceram indícios da facção em Caraguatatuba, no Litoral Norte, e que nesta semana veio a notícia de um núcleo de inteligência do grupo na Praia Grande, na Baixada Santista. A declaração é #FATO.
Embora o Primeiro Comando da Capital (PCC) seja considerado a força hegemônica do crime no estado, investigações recentes apontam a expansão do Comando Vermelho (CV) em território paulista por meio de alianças com grupos locais. A presença da facção carioca se concentra em dois eixos: municípios próximos à divisa com o Rio de Janeiro, incluindo cidades do Litoral Norte, e a região de Piracicaba e Rio Claro, no interior.
A chamada Rota Caipira, corredor do tráfico internacional de drogas entre o interior paulista e o Triângulo Mineiro, ficou quase 30 anos sob influência do PCC. Nos últimos anos, um grupo local de Rio Claro, o Bonde do Magrelo, chamou a atenção das autoridades ao se associar ao CV. Em março, o Gaeco e a Polícia Civil deflagraram a Operação Linea Rubra para frear o avanço da facção no interior. Em julho, integrantes do grupo voltaram a ser alvo de operação em Piracicaba, suspeitos de homicídios e de transporte e armazenamento de armas e drogas. Na semana passada, a Polícia Civil de Minas Gerais prendeu em Praia Grande dois homens apontados como chefes do CV em Betim (MG). A Baixada Santista, área de influência histórica do PCC, concentra rotas estratégicas do tráfico por causa do Porto de Santos.
Roubos de celular
Haddad disse que, de cada dez celulares roubados no Brasil, três são subtraídos no estado de São Paulo e dois na capital. A declaração é #FATO.
Em 2025, 830.890 celulares foram roubados ou furtados no país. Desse total, 268.184 ocorrências foram registradas em São Paulo, o equivalente a 32,2%. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano. A capital paulista concentra 20% de todos os roubos e furtos de celular do país e é apontada como o principal polo nacional desse tipo de crime em números absolutos, além de maior mercado consumidor. No ranking das cidades com maiores taxas, São Paulo aparece em terceiro lugar, com 1.390,5 aparelhos subtraídos por 100 mil habitantes.
Privatização da Sabesp
Haddad criticou a venda da Sabesp, afirmando que só apareceu um concorrente na licitação e que uma das principais estatais paulistas foi vendida abaixo do preço de mercado. A declaração é #FATO.
Em 16 de julho de 2024, o governo estadual confirmou que a Equatorial Participações e Investimentos foi a única empresa interessada em adquirir o controle acionário da companhia. O período de propostas foi encerrado no dia 15 daquele mês apenas com o fundo na disputa para se tornar acionista de referência. A Equatorial e os demais investidores pagaram R$ 67 por ação pelos 32% dos papéis vendidos pelo governo paulista — valor abaixo do preço das ações na ocasião, de R$ 87, segundo a Agência Brasil. Com a operação, o estado arrecadou R$ 14,7 bilhões.
No debate, as três falas de Haddad verificadas pela equipe foram classificadas como #FATO.
