Uma rede de 409 quilômetros de rodovias no Rio Grande do Sul concentra trechos considerados estratégicos para o Vale do Taquari e para o Norte do estado. O projeto de concessão do Bloco 2 estima R$ 6 bilhões em investimentos, porém o leilão marcado para junho de 2026 terminou sem propostas, o que deixou a execução das obras condicionada a uma nova contratação.

Quais rodovias e municípios integram o Bloco 2?

O pacote abrange trechos das ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324 e RSC-453, espalhados pelo território gaúcho. São 409 quilômetros que conectam cidades do Vale do Taquari e da Região Norte.

No total, 32 municípios estão no alcance do projeto, entre eles Erechim, Passo Fundo, Marau, Guaporé, Encantado, Lajeado e Venâncio Aires. Segundo estimativa do governo, essas cidades reúnem 17,5% da população do estado.

O que são as duplicações e as terceiras faixas?

O planejamento contempla 182 quilômetros de duplicações, que transformariam trechos hoje de pista simples em pistas separadas para cada sentido. Vale destacar que não se trata de duplicar os 409 quilômetros integrais: a extensão citada corresponde apenas aos segmentos escolhidos para esse tipo de intervenção.

Outros 71,5 quilômetros estão destinados a terceiras faixas, solução que adiciona uma faixa em pontos específicos, sem duplicação completa. O pacote inclui ainda acostamentos e passarelas, com melhorias distribuídas de acordo com as características e as demandas de cada trecho.

As principais intervenções previstas no edital são:

182 km de duplicações em trechos selecionados; 71,5 km de terceiras faixas para ampliar a capacidade de tráfego; 37 passarelas para travessia de pedestres; e 745 km de acostamentos, contabilizando os dois sentidos das vias.

Como os R$ 6 bilhões seriam aplicados?

O edital divulgado pelo governo em novembro de 2025 projetava R$ 6 bilhões de investimentos ao longo de uma concessão de 30 anos. Dessa conta, R$ 1,5 bilhão viriam de aporte público por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). A programação previa R$ 4,6 bilhões nos primeiros dez anos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) participou da estruturação do projeto, cujo contrato abrangeria operação, conservação e ampliação das rodovias.

O que mudaria para motoristas e pedestres?

Duplicações e terceiras faixas são intervenções distintas, mas ambas buscam aumentar a capacidade viária em pontos definidos da malha. Já as 37 passarelas têm outro objetivo: garantir travessias seguras para pedestres nos locais indicados pelo projeto.

A proposta também prevê pedágio no sistema free flow, sem praças tradicionais com cancelas. A cobrança eletrônica integra a modelagem da concessão, mas sua implantação depende da contratação e das condições aprovadas para o serviço.

O que ocorreu com o leilão de 2026?

A disputa agendada para 10 de junho de 2026 não se concretizou: o prazo para envio de propostas encerrou em 3 de junho sem nenhum interessado. Por isso, as obras anunciadas no edital original não podem ser consideradas intervenções contratadas.

Em 7 de agosto de 2026, o conselho gestor estadual aprovou alterações na modelagem do Bloco 2 e autorizou a republicação do edital, por meio da Resolução 75/2026. A decisão abriu caminho para uma nova disputa, mas não representa assinatura de contrato.

Quando as melhorias podem começar?

O começo das intervenções depende do sucesso da licitação, da formalização do contrato e dos cronogramas aplicáveis. As quantidades de obras e o investimento de R$ 6 bilhões são previsões do edital original, sujeitas a ajustes na nova modelagem.

Para moradores e motoristas dos 32 municípios, a distinção é fundamental: há um planejamento de ampliação da rede, mas não uma garantia de entrega imediata. A nova licitação e a contratação efetiva definirão os compromissos que poderão ser cobrados.