A corrida pelo voto no ambiente digital ganhou ritmo acelerado na primeira semana do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Dos quartéis-generais de campanha aos grupos de WhatsApp, as duas candidaturas ampliaram suas estratégias para dominar a conversa nas redes sociais.
Do lado petista, o presidente passou a gravar vídeos em formato de selfie e convocou jovens influenciadores eleitos para reforçar sua presença nas plataformas. Já a equipe de Flávio organiza respostas às publicações do adversário e chama apoiadores para multiplicar o alcance dos conteúdos favoráveis ao candidato.
As duas campanhas mantêm ainda canais de WhatsApp — o “Exército do Lula” e a “Tropa do Flávio” —, utilizados por apoiadores para distribuir material, coordenar ações de compartilhamento e dar mais visibilidade às publicações. Integrantes das equipes dos dois presidenciáveis afirmam que essas iniciativas operam fora das estruturas oficiais das campanhas.
Força-tarefa digital do PT
A campanha de Lula montou uma sala na sede do partido, em Brasília, para abrigar uma força-tarefa digital formada por influenciadores e jovens políticos eleitos. O grupo se encontrou com o petista na quarta-feira (7) e deve seguir na capital federal pelo menos até esta sexta-feira (9).
“Virou a chave da campanha, passamos do analógico para o digital”, avaliou Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT.
Segundo Tatto, o resultado do primeiro turno foi o gatilho para a mudança de estratégia — um ajuste que talvez não acontecesse caso Lula tivesse liderado a votação. “Se tivéssemos ficado em primeiro lugar, a campanha teria continuado sendo feita do jeito que estava e não teríamos para onde crescer”, declarou.
A leitura é compartilhada pela deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), que defende uma presença mais forte da esquerda nas plataformas digitais. Para ela, foi nesse ambiente que a direita ganhou musculatura a partir das eleições de 2018.
“Obviamente que rede social não é tudo, mas rede social é muita coisa e eu costumo dizer que o único lugar que nós perdemos foi nas redes”, afirmou a parlamentar. Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, ela avaliou que ainda há tempo para a esquerda expandir sua atuação e disputar espaço nas plataformas digitais.
Reação do lado de Flávio
No campo bolsonarista, aliados trabalham para responder rapidamente às publicações de Lula e convocam a base de apoio para amplificar conteúdos favoráveis ao candidato do PL. A articulação busca equilibrar a disputa de alcance em um cenário no qual o adversário passou a investir de forma mais agressiva no ambiente digital.
Com o segundo turno marcado para o dia 25 de outubro, as duas campanhas tratam o território virtual como frente decisiva da eleição, combinando produção de conteúdo próprio, mobilização de apoiadores e atuação de nomes eleitos com forte presença online.
