O policial militar Edson Raimundo dos Santos, nome ligado ao caso Amarildo, recebeu uma homenagem na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) concedida pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro. O reconhecimento ocorreu cinco anos antes de ele assumir o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.

Homenagem na Alerj reuniu dezenas de policiais

Segundo o registro da matéria original, Edson Raimundo dos Santos foi um dos mais de 20 policiais agraciados com a homenagem promovida na Casa legislativa. O grupo reunia agentes que, em momentos posteriores, se tornaram réus em ações na Justiça.

A lista de homenageados incluía integrantes de diferentes corporações e unidades de segurança pública do estado do Rio de Janeiro. Entre eles estava justamente o policial que, anos mais tarde, passaria a comandar a UPP da Rocinha, uma das unidades mais conhecidas do programa de pacificação no estado.

Quem era o policial homenageado

Edson Raimundo dos Santos é apontado como policial militar com atuação relacionada ao caso Amarildo, episódio que envolveu o desaparecimento do ajudante de eletricista Amarildo de Souza Lima na Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, durante uma operação policial na comunidade. O caso ganhou repercussão nacional e se tornou um dos símbolos das discussões sobre atuação policial nas favelas cariocas naquele período.

Apesar do histórico ligado a esse episódio, o policial recebeu o reconhecimento formal na Alerj, ao lado de outros agentes das forças de segurança. Na época da homenagem, ele ainda não ocupava o cargo de comandante da UPP da Rocinha, função que assumiria apenas cinco anos depois.

Do reconhecimento à condição de réu

O levantamento que motivou a matéria original apontou que boa parte dos policiais homenageados por Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio — mais de 20 agentes — responde posteriormente a processos criminais na condição de réus. O dado chama atenção pelo contraste entre o gesto de reconhecimento público no parlamento estadual e o desdobramento judicial envolvendo os nomes agraciados.

O caso levanta questões sobre os critérios utilizados para homenagens a integrantes das forças de segurança no legislativo estadual, uma vez que agentes reconhecidos publicamente acabaram, mais tarde, respondendo a acusações na Justiça. A trajetória de Edson Raimundo dos Santos — de homenageado na Alerj a comandante da UPP da Rocinha, com passagem ligada ao caso Amarildo — ilustra o contexto apontado pela reportagem original.