Um ex-funcionário da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, foi preso nesta semana nos Estados Unidos sob a acusação de ter instalado um gravador de áudio em uma sala de reuniões reservada à diretoria. O ambiente era usado para debates sobre pesquisas, planos de produtos e estratégias da companhia.
Dispositivos escondidos na empresa
O suspeito, identificado como Albdurahman Alfozan, também aparece ligado a um segundo aparelho, escondido dentro de uma bolsa deixada em uma área comum do prédio da empresa, em São Francisco. Segundo as apurações, o dispositivo teria sido colocado no local por Alfozan em 28 de setembro.
O gravador armazenava o conteúdo de forma criptografada e foi descoberto pouco tempo depois, em 30 de setembro. Em comunicado, a OpenAI informou que utilizou suas próprias inteligências artificiais para identificar do que se tratava o equipamento.
A companhia afirma que, apesar da tentativa, o investigado não teve acesso a códigos-fonte, modelos de IA ou outros dados confidenciais.
Câmeras de segurança e buscas na internet
A principal conexão entre Alfozan e o gravador foi estabelecida pelas câmeras de segurança do espaço, que o flagraram diversas vezes dentro da sala de reuniões à qual ele não tinha permissão para acessar. Em uma das gravações, o engenheiro aparece conferindo o espaço atrás de uma televisão — exatamente o ponto onde o aparelho foi encontrado — durante o período em que o dispositivo estava na sala.
Além da presença em área restrita, investigadores do FBI identificaram consultas realizadas por Albdurahman sobre endereços, salas de reunião, calendários e a localização de executivos da empresa.
A esposa do engenheiro também entrou no radar das autoridades. Segundo as apurações, o histórico de uma conta em um chatbot de IA mostrou que ela pesquisou sobre a instalação e a ocultação de um gravador de áudio, além de características específicas do equipamento.
Pena pode chegar a cinco anos de prisão
Se condenado, conforme a legislação americana, Alfozan pode receber pena de até cinco anos de prisão, além de multa de US$ 250 mil — cerca de R$ 1,2 milhão.
O caso ocorre em um momento sensível para a OpenAI: a companhia demitiu funcionários recentemente após identificar indícios de um suposto vazamento de informações sobre seus modelos.
