O segundo turno começou com duas campanhas adotando posturas opostas. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trataram o intervalo entre os turnos como uma pausa para balanço: os dois times voltaram ao campo com planos revistos, depois de analisar os tropeços do primeiro tempo. O replanejamento, no entanto, foi mais profundo no lado do presidente, que precisou redirecionar a rota após o susto causado pelo desempenho do adversário na primeira etapa do pleito. Durante a campanha, os dois participaram de atos na Avenida Paulista, em São Paulo.
Reação em duas frentes
A resposta do petista se dividiu entre o mundo físico e o ambiente virtual. Nos espaços públicos, o objetivo foi remobilizar apoiadores e buscar reeditar uma espécie de frente ampla, nos moldes da articulação construída em 2022. Já no terreno digital, a estratégia foi acelerar o engajamento da base, com protagonismo assumido pelo deputado André Janones.
Nos bastidores, o diagnóstico era de que não bastava disputar o eleitorado apenas pelos meios tradicionais. Era preciso, também, conquistar espaço nas redes sociais — ambiente onde, na avaliação do grupo, se trava parte importante da batalha eleitoral.
Cautela do adversário
Do outro lado, a lógica seguiu praticamente o caminho inverso. A orientação foi reduzir a exposição para diminuir as chances de tropeços: fazer menos para errar menos, no resumo da própria estratégia.
Entre os integrantes da campanha, prevalece a leitura de que o candidato ocupa posição confortável na disputa. A imagem que transparece é a de um time que administra a vantagem: toca a bola de lado, controla o ritmo do jogo e acompanha o relógio, aguardando o apito final do juiz.
Duas leituras do mesmo jogo
Os caminhos escolhidos evidenciam diagnósticos distintos sobre o momento do pleito. De um lado, a percepção de urgência, que levou o time do presidente a intensificar a atuação nas ruas e no ambiente digital. De outro, a aposta na administração de uma situação favorável, com movimentação contida até o encerramento da disputa.