A seis dias do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, marcado para o próximo domingo (25), o presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a usar suas redes sociais para atacar o mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova rodada de ofensas começou na noite de segunda-feira (19) e se estendeu por toda a terça-feira (20).

Ameaça de fraude e xingamentos

Entre os ataques, o presidente ultraliberal insinuou que a votação brasileira poderia ser fraudada e chamou Lula de “esquerdista ladrão” — mesma ofensa dirigida ao petista no lançamento da candidatura de seu aliado Flávio Bolsonaro (PL), no fim de julho. Naquela ocasião, o episódio provocou a pior crise da história recente entre os dois países e levou ao rebaixamento das relações bilaterais.

“Espero que o último truque da campanha suja deles não inclua roubar a eleição”, escreveu Milei.

Reação do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil voltou a se pronunciar e classificou as declarações como uma “inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”.

Em nota, a pasta afirmou que o chefe de Estado argentino “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”. O Itamaraty considerou a manifestação “antidemocrática”, “desequilibrada” e incompatível com a postura esperada de um país amigo.

O ministry ressaltou ainda que o sistema de voto eletrônico brasileiro nunca registrou irregularidades, como ratificado por “observadores eleitorais do mundo inteiro” no primeiro turno, e concluiu que a decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que votará livremente no dia 25.

Publicações nas redes

Na segunda à noite, Milei compartilhou um trecho do debate da Band, realizado na véspera, em que Lula dizia a Flávio Bolsonaro que perderia a imunidade parlamentar junto com a eleição. “Em ação aqui o autoritário que o progressismo local tanto gosta”, comentou o argentino na sua conta no X (ex-Twitter).

Na terça, a última publicação envolvendo Lula era um corte de entrevista do presidente brasileiro sobre a escala de trabalho 6×1, extinta no Brasil por decisão do Congresso na sexta-feira (16). Ao comentar a sobrecarga do trabalho doméstico, Lula afirmou que, no caso das mulheres, o dia em que ficam em casa é o dia em que mais trabalham.

Milei reagiu chamando os “progressistas” de machistas: “Depois, saem por aí acusando todos os seus oponentes de serem misóginos. A máscara desses criminosos está caindo.”

Em outra postagem, o presidente argentino criticou uma análise do jornal La Nacion sobre a estratégia de Flávio de se posicionar atrás de Lula durante o debate, chamando o veículo de “pasquim de esquerda” e afirmando que “chamar Bolsonaro de extrema direita é coisa de esquerdista radical”.

Rejeição interna

Segundo pesquisa da empresa Zuban Córdoba, realizada semanas após o início da nova onda de ataques, em julho, 70,5% dos argentinos reprovam o comportamento de Milei em relação ao petista.

O presidente argentino também enfrentava críticas internas desde segunda-feira, após declarar em um evento do setor petrolífero em Neuquén que a ideia de que parte da população não consegue chegar ao fim do mês com o salário é uma “baboseira promovida pelo kirchnerismo”, movimento adversário surgido a partir dos governos de Néstor e Cristina Kirchner.