Lucas Pavanato (PL) foi o deputado federal mais votado de São Paulo e o segundo do país, com 3.038.438 votos. O resultado puxou correligionários pela legenda e ampliou o peso da direita na bancada paulista.
Ele ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL), que deve se eleger como o mais votado do Brasil, por Minas Gerais. Os dois superaram o recorde histórico de Eduardo Bolsonaro, que em 2018 obteve 1.843.735 votos, também pelo estado.
Esquerda estagnada
A segunda maior votação em São Paulo ficou com Erika Hilton (PSOL), a mulher mais votada do país. Primeira travesti negra a ocupar uma cadeira na Câmara, ela renovou o mandato com ao menos 1.596.472 votos, seis vezes mais do que em 2022.
Na bancada paulista, o PL passou de 17 para 19 deputados, bem à frente dos 11 eleitos pela federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PV e PCdoB. O número equivale ao que o PT sozinho conquistou na eleição anterior, sem vitórias dos outros dois partidos.
PSD, Republicanos, Podemos e a federação PSOL-Rede elegeram seis deputados cada; a federação União-Progressistas (PP), cinco; o MDB, quatro; PSB e Novo, dois cada. As federações PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD e o Missão ficaram com uma vaga cada.
O Podemos dobrou de tamanho, passando de três para seis representantes. PSD, Republicanos e Novo também cresceram, com três, um e um deputados a mais, respectivamente. PSOL e Rede, juntos, mantiveram as mesmas seis vagas, sinal de estagnação da esquerda diante do avanço de expoentes da direita.
Com a votação expressiva, Pavanato puxou vários candidatos pelo sistema proporcional, em que os votos de cada candidato entram na contagem geral da legenda, beneficiando correligionários menos populares.
Os dez mais votados
Sâmia Bomfim (PSOL) terminou em terceiro lugar, com 583 mil votos, entre as mais votadas do país. Vieram depois Kim Kataguiri (Missão), com 520 mil; Tabata Amaral (PSB), com 476 mil; e Renato Bolsonaro (PL), irmão de Jair Bolsonaro, com 379 mil.
Fecham a lista dos dez mais votados: Sargento Nantes (PP), com 333 mil; Delegado Palumbo (Podemos), com 303 mil; Guilherme Cortez (PSOL), com 275 mil; e Mauricio Neves (PP), com 269 mil.
Trajetórias
Natural de Sorocaba, Pavanato tem 28 anos e se mudou para a capital aos 18. Começou a vida política no Movimento Brasil Livre (MBL), como estagiário e assessor de Fernando Holiday, e depois se aproximou do bolsonarismo. Filiado ao PL, produz conteúdo conservador para a internet e defende a chamada “família tradicional”. Em 2022, foi suplente a deputado estadual, com 36 mil votos; dois anos depois, elegeu-se vereador com mais de 160 mil.
Hilton começou no movimento estudantil na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Em 2015, um abaixo-assinado online pelo reconhecimento do nome social em cartão de transporte escolar, com mais de 6 mil assinaturas, chamou a atenção do PSOL. Pelo partido, foi codeputada estadual pela Bancada Ativista, na Alesp, e depois a primeira pessoa trans a ocupar a Câmara Municipal de São Paulo.
Entre suas pautas estão iniciativas contra a violência contra pessoas trans e travestis, direitos LGBTQIA+, segurança alimentar, saúde pública e políticas sociais — temas aos quais Pavanato se opõe veementemente.
