Fim do funil sobre o Rio Camaquã
A BR-116, rota principal dos caminhões que levam a produção gaúcha até o Porto de Rio Grande, ganhou uma nova travessia sobre o Rio Camaquã. Entregue em janeiro de 2026, a estrutura tem 680 metros de extensão e 13,2 metros de largura e opera lado a lado com a ponte antiga, formando quatro faixas de circulação, duas em cada sentido.
A obra custou R$ 60,9 milhões e integra o pacote de duplicação da rodovia no trecho que liga Guaíba a Pelotas, corredor por onde escoam grãos, celulose e cargas conteinerizadas vindas da região metropolitana de Porto Alegre.
Como era o gargalo
Antes da conclusão da obra, quem rodava pelos trechos já duplicados da BR-116 precisava convergir para a ponte antiga, de pista simples. O estreitamento obrigava carretas e automóveis a reduzir drasticamente a velocidade na cabeceira do rio, formando um funil para o transporte pesado.
Sob gestão técnica do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a duplicação sobre o curso d’água separou fisicamente os fluxos opostos e encerrou o risco de colisões frontais sobre a lâmina d’água.
Obras complementares no eixo Guaíba–Pelotas
A liberação das quatro faixas vem acompanhada de intervenções nos acessos locais, entre elas um viaduto de 125 metros. Enquanto a ponte garante a transposição contínua do rio, o elevado separa o fluxo rodoviário das entradas municipais. Em escala, os 680 metros da ponte principal superam em mais de cinco vezes o comprimento do viaduto.
Com as duas estruturas, o corredor duplicado entre Guaíba e Pelotas mantém velocidade constante, sem interrupções de cruzamento. A entrega reúne quatro elementos: extensão de 680 metros sobre a calha do rio, tabuleiro de 13,2 metros preparado para cargas pesadas, operação conjunta com a ponte existente e integração direta com o viaduto de 125 metros.
Onde foi aplicado o investimento
Os R$ 60,9 milhões cobriram a cravação de fundações profundas no leito do rio, o lançamento de vigas pré-moldadas e a ligação das cabeceiras às pistas duplicadas. Na proporção dos 680 metros da estrutura, o custo equivale a cerca de R$ 89,5 mil por metro linear.
O valor reflete a complexidade de construir sobre um curso d’água caudaloso, sujeito a cheias sazonais no Rio Grande do Sul. Pilares e altura do vão livre foram dimensionados para resistir à correnteza sem interromper a circulação rodoviária.
Efeito para o transporte de cargas
Para os caminhoneiros que levam a safra agrícola até o Porto de Rio Grande, a continuidade das quatro faixas elimina frenagens bruscas e filas na chegada à travessia. A fluidez constante reduz o tempo de viagem e o consumo de diesel das frotas.
No deslocamento regional entre municípios da metade sul gaúcha, os 13,2 metros de largura oferecem margem segura para ultrapassagens de veículos pesados, dando mais previsibilidade ao transporte de passageiros nos períodos de pico do escoamento portuário.
Manutenção sem fechar a rodovia
Com a ponte nova em operação, o esquema de quatro faixas permite vistorias e serviços de conservação na travessia antiga sem bloquear totalmente a BR-116. Em manutenções preventivas, o fluxo pode ser redistribuído temporariamente entre as pistas paralelas.
O aproveitamento pleno dessa capacidade depende do avanço dos demais lotes de duplicação ao longo dos 211 km entre Guaíba e Pelotas. Ao eliminar um dos obstáculos hidrográficos mais extensos do percurso, a obra consolida a ligação logística entre o centro produtivo do estado e a saída marítima.